Sempre ouvi que a democracia é o governo do povo. Mas, para que isso seja verdade, é preciso que o povo compreenda o tamanho da responsabilidade que carrega nas mãos. O voto não é um simples aperto de botão. É uma decisão que pode mudar o rumo de uma cidade, de um estado e de um país.
Infelizmente, ainda há quem vote por amizade, por gratidão, por interesse pessoal ou, pior, por fanatismo. Nesses casos, a razão dá lugar à emoção e o futuro acaba sendo decidido por sentimentos passageiros. O resultado quase sempre é o mesmo: depois da eleição, surgem as reclamações sobre a falta de saúde, a precariedade da educação, a insegurança, o desemprego e tantos outros problemas que poderiam ter sido evitados com uma escolha mais consciente.
É curioso perceber que muitos cidadãos passam horas pesquisando antes de comprar um celular ou uma motocicleta, mas dedicam poucos minutos para conhecer quem pretende administrar milhões de reais dos cofres públicos. Essa inversão de prioridades custa caro. Muito caro.
Também me preocupa o eleitor que trata a política como uma torcida organizada. Defende seu candidato a qualquer preço, mesmo diante dos erros mais evidentes. Esquece que político não é ídolo. É servidor público. Foi eleito para prestar contas, aceitar críticas e trabalhar pelo interesse coletivo.
Outro erro é acreditar que o voto termina quando a urna é fechada. Não termina. A cidadania continua todos os dias. É preciso acompanhar, fiscalizar, cobrar e reconhecer quando um gestor acerta, mas também apontar quando erra. Democracia não combina com silêncio nem com acomodação.
Não escrevo estas palavras para convencer ninguém a votar em A ou em B. Escrevo para lembrar que toda escolha tem consequências. O voto consciente fortalece a democracia. O voto irresponsável fortalece o problema.
No fim das contas, não é justo culpar apenas quem foi eleito. Quem ocupa um cargo público chegou até lá porque recebeu a confiança de alguém. E essa confiança nasce nas urnas.
Por isso, antes de reclamar dos próximos quatro anos, faça uma pergunta a si mesmo: o meu voto ajudou a construir a solução ou contribuiu para manter o problema?
Essa é uma resposta que ninguém pode dar por você.
Silvano Silva

