A quem interessa que Tibério Limeira não seja candidato?

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Há perguntas que não pertencem aos tribunais.

Pertencem à consciência de um povo.

E, neste momento da história da Paraíba, há uma pergunta que precisa ecoar em cada casa, em cada rua, em cada feira livre, em cada sala de aula, em cada repartição pública, em cada comunidade rural e em cada coração que ainda acredita na democracia:

A quem interessa que Tibério Limeira não seja candidato?

A quem interessa impedir que um homem com mais de vinte anos de vida pública tenha, ao menos, o direito de colocar sua história diante do julgamento mais legítimo que existe: o julgamento do povo?

Desde quando a democracia passou a ter medo das urnas?

Desde quando o voto deixou de ser o instrumento capaz de separar quem merece confiança de quem não merece?

Em 2022, quando era apontado por analistas, lideranças e pela própria imprensa como um dos nomes mais fortes para conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa, Tibério fez uma escolha que poucos fariam.

Abriu mão de um projeto pessoal.

Renunciou a um sonho legítimo.

Aceitou coordenar a campanha que reelegeu João Azevêdo e elegeu Lucas Ribeiro, colocando o interesse coletivo acima da própria candidatura.

Quem age assim não demonstra apenas espírito público.

Demonstra desprendimento.

Demonstra lealdade.

Demonstra compromisso.

Durante sua passagem pelo Governo da Paraíba, especialmente na Secretaria de Administração, construiu a imagem de um gestor que preferia resolver problemas a criar conflitos. De um homem que fazia do diálogo uma ferramenta de trabalho e do atendimento às pessoas uma obrigação moral.

Mas bastou que sua pré-candidatura ganhasse força.

Bastou que o povo simples começasse a abraçar esse projeto.

Bastou que lideranças populares, vereadores, agricultores, trabalhadores, estudantes e milhares de paraibanos passassem a acreditar que um dos seus poderia chegar à Assembleia Legislativa.

Foi então que começaram os ataques.

Os rostos mudaram.

Os discursos mudaram.

As estratégias mudaram.

Porque, quando o povo começa a acreditar, aqueles que sempre acreditaram ser donos da política passam a sentir medo.

Não entraremos aqui no mérito jurídico das discussões envolvendo as contas de 2021. Como jurista, até poderia fazê-lo. Mas este editorial escolhe outro caminho.

As contas referem-se à continuidade de um programa de segurança alimentar que não foi criado por Tibério. Durante sua gestão, não houve alteração desse programa, nem alteração estrutural, nem novo cadastramento. O programa continuou existindo e atendendo milhares de famílias. O debate jurídico seguirá seu curso nas instâncias competentes.

Mas a pergunta continua de pé.

Por quê?

Por que tanto esforço para impedir que seja o povo quem decida?

Por que tanto receio de uma candidatura?

Quem realmente teme as urnas?

Tibério não nasceu dentro de uma oligarquia.

Não herdou um sobrenome capaz de abrir portas.

Não recebeu um mandato por tradição familiar.

É filho de uma pedagoga.

Neto de uma poetisa.

Filho de servidor público.

Sambista raiz.

Homem forjado nas lutas do movimento estudantil da Universidade Federal da Paraíba.

Aprendeu política ouvindo.

Aprendeu política caminhando.

Aprendeu política olhando nos olhos de quem mais precisava.

Conhece as Três Lagoas.

Conhece o Castelo Branco.

Conhece Mari.

Conhece Sapé.

Conhece Guarabira.

Conhece São Miguel de Taipu.

Conhece a Paraíba porque nunca deixou de caminhar por ela.

Talvez seja exatamente isso que incomode.

Porque quem conhece apenas os palácios governa de cima para baixo.

Mas quem conhece as ruas governa olhando nos olhos.

Talvez o medo nunca tenha sido de Tibério deputado.

Talvez seja de tudo aquilo que ele representa.

Porque um mandato popular não pertence a famílias.

Não pertence a grupos.

Não pertence a acordos de bastidores.

Pertence ao povo.

E talvez seja exatamente isso que assuste.

Talvez saibam que, quando um agricultor entra em um gabinete e é recebido com respeito, algo muda.

Quando uma mãe é ouvida, algo muda.

Quando um estudante encontra espaço para sonhar, algo muda.

Quando o trabalhador deixa de ser tratado como favor e passa a ser tratado como cidadão, algo muda.

Foi essa política que Tibério ajudou a construir.

E talvez saibam também que ele nunca caminhou sozinho.

Ao seu lado esteve Jailma Carvalho, sua então chefe de gabinete, que entrou para a história como a vereadora mais votada da redemocratização de João Pessoa.

Não foi obra do acaso.

Foi resultado de uma forma diferente de fazer política.

Uma política construída com escuta.

Com presença.

Com respeito.

Com gente.

Porque o povo sabe reconhecer quem apenas aparece em época de eleição.

E sabe reconhecer quem esteve presente quando não havia eleição nenhuma.

É por isso que Tibério já não é apenas um nome.

Tibério tornou-se um símbolo.

O agricultor se enxerga nele.

O estudante se enxerga nele.

O servidor público se enxerga nele.

A dona de casa se enxerga nele.

O jovem da periferia se enxerga nele.

O trabalhador que acorda antes do nascer do sol se enxerga nele.

Porque Tibério já não é apenas Tibério.

Tibério são milhares.

E há uma verdade que a história ensina, geração após geração:

É possível atacar um homem.

É possível tentar desgastar um nome.

É possível levantar dúvidas.

Mas ninguém consegue derrotar uma ideia quando ela encontra abrigo no coração do povo.

Porque, quando um homem deixa de representar apenas a si mesmo para representar o sonho de milhares, ele deixa de caminhar sozinho.

E quando milhares caminham juntos, já não existe apenas uma candidatura.

Existe um ideal.

Existe uma esperança.

Existe uma geração inteira dizendo que a política ainda pode voltar a pertencer ao povo.

No fim, cargos passam.

Mandatos terminam.

Governos mudam.

Mas há algo que permanece para sempre.

A dignidade de quem nunca deixou de caminhar ao lado do seu povo.

E, em uma verdadeira democracia, por maior que sejam os ataques, por mais duro que seja o caminho, a última palavra jamais pertence ao medo.

A última palavra sempre pertence ao povo.

Alexandre Kennedy

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