Acabaram com o Nosso São João

admin
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O São João sempre foi muito mais do que uma festa. Sempre foi identidade, memória, tradição e pertencimento. Era a época do ano em que o Nordeste mostrava ao Brasil a força de sua cultura através da sanfona, do triângulo, da zabumba, das quadrilhas, das comidas típicas e das canções que contam a história do nosso povo.

Hoje, infelizmente, tenho a sensação de que estão acabando com o nosso São João.

E não venham dizer que a discussão é sobre atrações que vendem ingressos, atraem público ou movimentam a economia. Não é isso. Afinal, artistas como Flávio José, Amazan, Alcymar Monteiro, Santana e tantos outros também lotam praças, arrastam multidões e possuem uma legião de fãs espalhada por todo o Nordeste. Eles têm história, público e, acima de tudo, representam a essência do período junino.

A questão central é a cultura.

O que estamos vendo em muitos lugares é a substituição gradual da identidade junina por uma programação que poderia acontecer em qualquer época do ano. O São João está perdendo suas características para dar espaço a estilos musicais que pouco ou nada dialogam com a tradição da festa.

Não sou contra a modernidade. A cultura evolui e novos ritmos têm seu espaço. Mas quando a exceção passa a ser a regra, algo está errado. Quando um artista de forró tradicional se torna minoria em uma festa criada justamente para celebrar a cultura nordestina, precisamos refletir sobre o caminho que estamos seguindo.

O São João não nasceu ontem. Ele foi construído por gerações que mantiveram vivas as tradições, valorizando artistas que dedicaram suas vidas a cantar o Nordeste, suas alegrias, suas dores, seu amor e sua fé. São canções que atravessam décadas e continuam emocionando pessoas de todas as idades.

Quando deixamos de valorizar esses artistas, não estamos apenas mudando uma programação musical. Estamos enfraquecendo uma herança cultural que pertence a todos nós.

Defender o forró tradicional não é ser contra o novo. É compreender que existem momentos que precisam preservar sua essência. Assim como o Carnaval tem sua identidade, o São João também precisa manter a sua.

O Nordeste não pode permitir que sua maior manifestação cultural perca suas raízes. Precisamos valorizar quem ajudou a construir essa história e garantir que as futuras gerações conheçam o verdadeiro significado do período junino.

Porque, no final das contas, o que está em jogo não é apenas a escolha de atrações. O que está em jogo é a preservação da nossa cultura, da nossa tradição e da nossa identidade nordestina.

E cultura, quando se perde, é muito mais difícil de recuperar do que de destruir.

Silvao Silva

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