OPINIÃO: Por Manuel Batista – Sem gritar, ela respondeu: o discurso de Lucinha que surpreendeu a câmara

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A primeira ida da prefeita Lucinha da Saúde à Câmara Municipal, após assumir o mandato, não foi marcada por embates, acusações ou disputas políticas. Ao contrário. O que se viu foi um discurso carregado de emoção, mas também de equilíbrio, algo cada vez mais raro no cenário político atual.

Logo no início, a prefeita trouxe à tona um tema sensível: “Se tem violência, também tem palavras que machucam a mulher.”

A fala revelou algo que vai além da política. Trata-se do reconhecimento de uma dor real, vivida publicamente. Mas o ponto mais importante não é a denúncia em si, é a forma como ela conduziu essa narrativa.

Lucinha não transformou a dor em ataque. Não respondeu com confronto. Ela reconheceu, expôs e seguiu. E isso faz diferença.

Aqui não há discurso técnico. Há história vivida. E isso gera identificação.

Outro ponto que chamou a atenção foi a forma como ela enxerga sua chegada ao poder: “Hoje Deus botou eu aqui.”

Mais do que uma expressão religiosa, essa fala carrega um sentido psicológico importante. Ela não trata o cargo apenas como conquista política, mas como missão. Isso fortalece sua imagem de liderança, principalmente em um contexto onde valores como fé e propósito têm forte presença na cultura local.

Ao mencionar a não aprovação da Secretaria das Mulheres, Lucinha demonstrou tristeza. Mas não transformou isso em ataque. Em vez de personalizar o problema ou buscar culpados, ela reconhece a dificuldade e, mais uma vez seguiu em frente.

Em tempos de discursos inflamados, essa postura chama atenção. Porém, o momento mais simbólico do discurso veio no final: “Vamos se unir… vamos pegar nas mãos…”
Naquele momento, a prefeita fez uma escolha clara: em vez de dividir, ela convidou. Esse tipo de posicionamento foge do padrão tradicional da política local, que muitas vezes se alimenta de conflitos. Em um ambiente político marcado por disputas intensas, essa postura não é comum.

A fala de Lucinha na Câmara não foi apenas um discurso institucional. Foi uma demonstração clara de estilo.

Enquanto muitos constroem liderança no confronto, ela aposta na aproximação. Enquanto outros respondem com ataque, ela responde com convite.

Resta saber como esse modelo será recebido ao longo do tempo. Mas uma coisa já é possível afirmar: “não é apenas o que se diz na política que importa, é como se diz.”

Manuel Batista – Autor

Redação/Por Manuel Batista – Escritor, ativista cultural, servidor público
Foto Reprodução

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