O Belo de novo em transformação

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A inauguração do Estádio Almeidão, em 1976, representou para João Pessoa um marco de expectativa e renovação. A cidade ganhava, enfim, uma praça esportiva à altura de suas ambições e junto com ela surgia a esperança de que seus clubes, sobretudo o Botafogo, pudessem se projetar para disputar certames regionais e nacionais.

Essa atmosfera de confiança remete ao clima que envolve o jogo de hoje, quando o “Belo” pode conquistar mais um título estadual diante de sua torcida. O Almeidão volta a pulsar com aquele mesmo sentimento de possibilidades abertas.

Foi exatamente em um momento semelhante, de crença e reconstrução, que, em meados dos anos 1970, João Pessoa recebeu o empresário paulista José Flávio Pinheiro Lima. Dono de uma grande indústria de adesivos que instalava na capital paraibana, ele trazia consigo algo raríssimo para o futebol local: experiência administrativa, visão empresarial e relações diretas com o centro do futebol brasileiro. Apaixonado pelo esporte e conselheiro do São Paulo Futebol Clube, mostrou interesse em participar da diretoria botafoguense, um presente inesperado para o time mais popular do estado.

A eleição de José Flávio para presidente do Botafogo representou, para aquela época, o que hoje se poderia chamar de um salto de gestão. Era, guardadas as proporções históricas, um movimento parecido com o que o clube vive atualmente ao se transformar em SAF.

Assim como a chegada de Pinheiro Lima prometia organização, profissionalização e investimentos, a nova fase empresarial do Botafogo renova o compromisso de formar um time competitivo não apenas no cenário estadual, mas também no regional e no nacional.

A comparação é inevitável: nos anos 1970, um dirigente com visão moderna; hoje, um modelo de governança que busca sustentabilidade, planejamento e ambição esportiva.

A posse da diretoria comandada por José Flávio foi um acontecimento marcante. Celebrada primeiro com uma missa na Basílica Nossa Senhora das Neves e concluída no gramado do Almeidão, lotado para o amistoso contra o Santa Cruz, reuniu autoridades, cronistas esportivos paulistas e torcedores em festa. Ao lado do novo presidente, integravam a diretoria Sérgio Penazzi, Laerson de Almeida, Luisão e Fernando Milanez Filho.

Logo se veria que aquela gestão inaugurava uma nova era. Foram contratados jogadores expressivos do futebol nordestino e, usando seu prestígio no São Paulo, trouxe por empréstimo quase um elenco inteiro, de onde despontaram atletas como Vinicius, Zé Luís, Lucas, Roberto Viana e o jovem Muller. Atendendo à sugestão do radialista Ivan Tomás, acrescentou o vermelho à estrela do escudo, diferenciando o Botafogo paraibano do homônimo carioca.

Sob a direção técnica de Pedrinho Rodrigues, o Botafogo atingiu um patamar de visibilidade nacional pouco usual para a época. O clube tornava-se conhecido, respeitado, ambicioso, exatamente o tipo de transformação que a atual SAF promete recriar, adaptada às exigências do futebol moderno.

Eu estive presente àquele domingo histórico. E, desde então, acompanhei o time por onde jogasse, colecionando memórias que me chegam vivas toda vez que o Almeidão se enche de esperança.

Hoje, com o clube vivendo uma fase de reorganização e investimento, a história parece completar um ciclo. Assim como aconteceu em 1976, há novamente a perspectiva de crescimento, profissionalismo e ousadia.

Se naquela época José Flávio Pinheiro Lima inaugurou uma nova mentalidade, agora cabe à SAF provar que consegue transformar esse mesmo espírito em conquistas duradouras, a começar pelo título que o Botafogo pode conquistar nesta tarde diante de sua apaixonada torcida.

Novamente, assim como em 1976, estarei presente para participar dessa festa, na confiança de que sairei do Almeidao comemorando o título tão esperado.

Rui Leitão

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