O evento político organizado pelo ex-prefeito de Marí, Antônio Gomes para receber o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, já nasceu cercado de expectativas — mas não exatamente as que seus organizadores esperavam. Desde o início da semana, nos bastidores da política local, o comentário era praticamente unânime: o encontro teria todos os ingredientes para se transformar em mais um capítulo da decadência política de Antônio Gomes. E foi exatamente o que aconteceu.
A tentativa de transformar a visita de Cícero Lucena em um ato político de peso, com clima de pré-campanha ao Governo do Estado, acabou se revelando um grande constrangimento público. Mesmo com estrutura montada — palco, iluminação, bandas, bebidas, comidas e toda a parafernália típica de eventos políticos — o que se viu foi um público tímido, disperso e incapaz de preencher o espaço preparado.
O cenário, aliás, já havia sido antecipado. Não é a primeira vez que Antônio tenta demonstrar força política e termina expondo o próprio isolamento. Na última recepção organizada por ele para o deputado federal Wellington Roberto, por exemplo, a presença popular era tão modesta que se contavam as pessoas presentes — e, entre elas, poucas figuras com real expressão política. Faltaram lideranças, vereadores, representantes comunitários e até suplentes com alguma relevância.
O evento deste fim de semana apenas confirmou aquilo que muitos já diziam nos bastidores: Antônio Gomes vive um processo acelerado de isolamento político.
Curiosamente, as próprias imagens divulgadas pela organização acabaram revelando mais do que tentavam esconder. Em vez de mostrar multidões, as publicações recorreram a imagens aéreas da cidade, alguns poucos carros acompanhando a comitiva e vídeos que destacavam muito mais o show musical do que qualquer demonstração real de apoio popular. Quando a música precisa ocupar o espaço que deveria ser do povo, a mensagem política costuma ser bastante clara.
A verdade é que o distanciamento entre Antônio Gomes e a população não começou agora. Durante seus mandatos — foram três à frente da prefeitura — o ex-prefeito sempre cultivou um estilo político marcado pela distância. Nos dois últimos mandatos, chegou a se vangloriar publicamente de fazer campanha “de dentro de casa”, chamando pessoas para reuniões reservadas e acordos políticos, evitando o contato direto com as ruas.
Era um modelo confortável enquanto ocupava a cadeira do poder. Afinal, a prefeitura sempre atrai aliados. O problema é que, fora do cargo, a lógica muda. E muda rápido.
Hoje, sem a máquina pública, sem a estrutura institucional e sem o contato real com a população, Antônio Gomes descobre da forma mais dura que a política não sobrevive apenas de lives, ataques à gestão municipal e discursos repetidos. A política vive de presença, de construção de relações e, sobretudo, de credibilidade.
E é exatamente nesse ponto que sua liderança parece ter evaporado.
O resultado é um retrato incômodo: um ex-prefeito cada vez mais restrito às redes sociais, com dificuldade de mobilizar a população e cada vez mais distante da realidade política da cidade.
No final das contas, o evento que deveria demonstrar força acabou simbolizando o contrário. Perde Antônio Gomes, que evidencia seu esvaziamento político. Perde Cícero Lucena, que vê seu nome associado a um ato sem densidade popular. E perde qualquer aventureiro que ainda imagine que a política local seja terreno livre para projetos improvisados.
A lição que fica é simples — e dura: quem se distancia do povo durante o mandato corre o risco de descobrir, depois dele, que o povo também aprendeu a se distanciar. E, na política, o esquecimento costuma ser o pior dos destinos. AG se auto destruiu com sua ganância e soberba.
Por Alexandre Kennedy – Pauta das 20

