Das verdades que Cícero precisa ouvir – Parte 01

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A política paraibana, de tempos em tempos, revela cenas que testam a memória e desafiam a coerência. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, parece ser o protagonista mais recente desse enredo de contradições e conveniências.

Hoje, Cícero recebe o abraço pessonho dos Cunha Lima, mas parece ter esquecido o que viveu em 2014, quando seria o candidato natural ao Senado Federal na chapa encabeçada por Cássio Cunha Lima. Naquela ocasião, Cássio não lhe deu a oportunidade de disputar a reeleição, preferindo entregar o posto a Wilson Santiago. O gesto, frio e calculado, praticamente baniu Cícero da vida pública e o deixou politicamente arrasado.

Ironicamente, o mesmo Cícero que hoje fala em diálogo e futuro ao lado de Pedro Cunha Lima esquece que foi justamente o pai de Pedro quem o descartou sem piedade. A memória, na política, costuma ser seletiva — especialmente quando o interesse fala mais alto.

Ele afirma ter ajudado Lucas Ribeiro a se tornar vice-governador, mas ignora um fato incontestável: diferente do que Cássio fez com ele, foram Aguinaldo, Lucas e Daniella Ribeiro que, em 2020, lhe deram legenda, apoio e sustentação política. Foram eles, junto ao Governador João Azevêdo, que o levaram ao segundo turno e à vitória — uma vitória apertada, por apenas 20 mil votos de diferença sobre Nilvan Ferreira.

Cícero Lucena demonstra ingratidão. Sofre de uma amnésia eleitoral e tenta reescrever sua própria trajetória conforme a conveniência do momento. O mesmo homem que um dia foi vítima da deslealdade agora a reproduz, mirando seus passos conforme a direção do poder.

Mas a história, prefeito, não se apaga nem se molda ao sabor das alianças.
A cobra que um dia o picou, quando o excluiu da disputa ao Senado, apenas apurou o veneno.

Alexandre Kennedy
Comunicador e analista político paraibano.
Reestabelecendo a verdade dos fatos.

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