Tenho observado, com preocupação, o quanto a política tem dividido as pessoas. Amigos deixam de conversar, famílias entram em conflito e muita gente passa a enxergar quem pensa diferente como inimigo. Mas será que é esse o verdadeiro sentido da democracia?
Não se trata de ser de direita ou de esquerda. Trata-se de compreender que o Brasil é maior do que qualquer partido, político ou ideologia.
A política é importante, necessária e faz parte da construção de uma sociedade mais justa. O problema começa quando a paixão política nos impede de enxergar a realidade, de reconhecer erros e até de admitir quando alguém de quem discordamos toma uma decisão acertada.
Precisamos ter cuidado para não transformar a política em uma espécie de religião, na qual alguns acreditam cegamente em seus líderes e passam a defender tudo o que eles fazem, mesmo quando as atitudes contrariam aquilo que essas mesmas pessoas costumam cobrar dos adversários.
Não podemos aceitar que o erro de um lado seja tratado como algo normal, enquanto o mesmo erro, cometido pelo outro, seja motivo de indignação. Se a nossa indignação muda conforme a cor da camisa de quem comete o erro, precisamos rever os nossos conceitos.
O Brasil precisa de pessoas dispostas a pensar, questionar, analisar e cobrar. Precisa de cidadãos que não entreguem a própria consciência em troca de discursos bonitos, promessas ou paixões partidárias.
E isso vale para todos.
Quem está no poder precisa ser fiscalizado. Quem está na oposição também precisa ter responsabilidade. Nenhum político está acima das críticas, assim como nenhum cidadão deveria ser obrigado a concordar com tudo para demonstrar de que lado está.
Defender o país significa defender a democracia, respeitar as diferenças, cobrar transparência, exigir responsabilidade com o dinheiro público e desejar que as políticas públicas cheguem a quem realmente precisa.
É querer educação de qualidade, saúde que funcione, segurança, oportunidades de emprego e dignidade para a população. É compreender que, por trás dos números e dos discursos políticos, existem pessoas que enfrentam dificuldades todos os dias e esperam respostas concretas para os seus problemas.
Na minha maneira de enxergar a vida pública, o debate político precisa ir além das disputas nas redes sociais. Precisamos trocar a ofensa pelo argumento, a idolatria pela consciência crítica e a torcida pela responsabilidade de analisar os fatos.
Não sou obrigado a concordar com você para respeitar o seu direito de pensar diferente. Da mesma forma, respeitar a sua opinião não significa abrir mão da minha capacidade de questionar.
O verdadeiro compromisso não deve ser com políticos de estimação, mas com aquilo que é melhor para a sociedade.
Talvez o grande desafio do Brasil não seja convencer todos a pensar da mesma maneira, mas fazer com que as pessoas compreendam que é possível ter opiniões diferentes sem perder o respeito, a humanidade e o compromisso com o bem comum.
Afinal, governos passam, partidos mudam, lideranças surgem e desaparecem. O país, porém, continua. E é a população que sente, na prática, as consequências das escolhas políticas.
Por isso, antes de perguntar de que lado alguém está, deveríamos perguntar quais ideias defende, quais resultados apresenta e a quem suas decisões beneficiam.
Porque, no fim das contas, não é uma questão de direita ou esquerda. É uma questão de consciência, responsabilidade e compromisso com o Brasil.
O meu desejo é que o brasileiro aprenda a defender menos os seus políticos e a defender mais o seu país.
Silvano Silva

