Parece uma cena dos tempos da ditadura. Mas não é! O episódio registrado nesta quinta-feira (8), na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Campina Grande, provoca indignação e nos obriga a refletir sobre os limites da autoridade e o respeito às liberdades individuais.
A imagem de um estudante imobilizado por um policial dentro de um ambiente universitário é impactante. Mas, diante de uma situação como essa, é preciso ter responsabilidade antes de julgar os fatos.
Se houve desacato, a situação precisa ser apurada. Entretanto, uma eventual ofensa à autoridade não significa que qualquer tipo de reação policial esteja automaticamente justificada. Da mesma forma, a atuação do policial precisa ser analisada à luz da lei, das circunstâncias e da proporcionalidade da força empregada.
Não se trata de defender A ou B. Não é uma questão partidária, nem de escolher um lado por conveniência política. Trata-se de defender princípios que precisam valer para todos, independentemente de quem esteja envolvido.
A universidade é um espaço de conhecimento, debate e liberdade de expressão. Isso não significa que ninguém esteja acima da lei, mas também não significa que a autoridade policial esteja livre de limites.
O respeito à lei deve ser uma via de mão dupla. O cidadão tem deveres, mas o agente público também precisa agir dentro dos limites legais.
É justamente por isso que o episódio merece esclarecimentos, investigação e transparência. Antes de condenar qualquer um dos envolvidos, é necessário conhecer o contexto completo e apurar o que realmente aconteceu.
Governos passam, mandatos acabam e posições políticas mudam. Mas os princípios democráticos não podem ser relativizados conforme a conveniência de cada um.
Não é sobre lados. É sobre limites. Porque, em uma democracia, a autoridade precisa ser respeitada, mas também precisa respeitar a lei. E a liberdade não pode ser tratada como concessão de quem detém o poder.
Silvano Silva

