O PODER DO VOTO

Redação
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O voto é muito mais do que apertar alguns números em uma urna. O voto é uma escolha. E toda escolha carrega consequências.

Vivemos em um tempo em que muitas pessoas reclamam da política, dos políticos, dos serviços públicos e dos problemas da cidade. Reclamam da saúde, da educação, das ruas, da segurança, do desemprego e de tantas outras questões que fazem parte da nossa realidade. Mas existe uma pergunta que, muitas vezes, esquecemos de fazer: qual foi a nossa participação na escolha de quem deveria tomar essas decisões?

É justamente aí que está o poder do voto.

Votar não deveria ser apenas cumprir uma obrigação eleitoral. Deveria ser um momento de consciência. Antes de escolher um candidato, precisamos observar sua história, suas atitudes, seus compromissos e, principalmente, sua coerência entre aquilo que fala e aquilo que faz.

Não podemos transformar o voto em moeda de troca. Não podemos escolher alguém simplesmente porque é nosso amigo, porque nos fez uma promessa ou porque pertence ao grupo político com o qual simpatizamos. Política não pode ser tratada como torcida de futebol, onde defendemos o nosso time independentemente dos erros cometidos.

O voto exige responsabilidade.

Também precisamos ter cuidado com aqueles que aparecem somente em época de eleição, fazem discursos bonitos, prometem resolver todos os problemas e desaparecem depois que conquistam o poder. A política precisa ser acompanhada durante todo o mandato, porque cidadania não termina quando a urna é desligada.

O voto é secreto, mas suas consequências são públicas.

Uma escolha mal feita pode afetar uma comunidade inteira. Pode influenciar a qualidade da educação, o atendimento na saúde, as oportunidades para os jovens, as condições das estradas, a infraestrutura e tantas outras áreas que interferem diretamente na vida das pessoas.

Por isso, não acredito em voto sem reflexão.

Precisamos aprender a separar amizade de responsabilidade pública. Precisamos compreender que gostar de uma pessoa não significa, necessariamente, que ela seja a melhor opção para ocupar determinado cargo. Da mesma forma, não devemos rejeitar alguém simplesmente porque pensa diferente de nós.

A democracia também exige maturidade para conviver com opiniões diferentes.

E existe algo que considero ainda mais importante: não podemos entregar o nosso voto e depois entregar também a nossa consciência.

O eleitor precisa acompanhar, cobrar, questionar e fiscalizar. Não basta escolher e esquecer. O verdadeiro exercício da cidadania começa depois da eleição.

Como comunicador, acredito que a informação tem um papel fundamental nesse processo. Uma sociedade bem informada tem mais condições de fazer escolhas conscientes. O jornalismo, quando exercido com ética e independência, ajuda justamente nisso: apresentar fatos, levantar perguntas e permitir que cada cidadão tire suas próprias conclusões.

Não cabe ao jornalista escolher pelo eleitor. Cabe ao jornalista contribuir para que o eleitor tenha elementos para escolher.

O voto é uma das maiores ferramentas que temos para participar da construção da sociedade que queremos. Ele pode mudar caminhos, renovar ideias e colocar novas pessoas nos espaços de decisão.

Mas o poder do voto não está apenas na mão que aperta os botões da urna. Está, principalmente, na consciência de quem está diante dela.

Por isso, antes de votar, vale a pena parar e pensar:

O candidato que estou escolhendo representa realmente aquilo que acredito?

Conheço sua trajetória?

Estou escolhendo por consciência ou por influência?

Estou votando pensando apenas no presente ou também no futuro da minha cidade?

No final, a urna não registra apenas números. Ela registra escolhas.

E talvez uma das maiores responsabilidades que temos como cidadãos seja compreender que, por alguns segundos diante de uma urna, temos algo que ninguém pode fazer por nós: o poder de decidir.

Que cada voto seja, portanto, menos um ato de obrigação e mais um ato de consciência.

Porque depois da eleição, não adianta apenas perguntar quem ganhou.

É preciso também perguntar:

O que fizemos com o poder que estava em nossas mãos?

Silvano Silva

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