O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou, nesta quarta-feira (22/7), que o Brasil pode adotar a reciprocidade contra os Estados Unidos em relação à tarifa de 25% aplicada aos produtos brasileiros, mas que isso será feito com cautela, “quando for necessário”.
“Gosto de dizer que se você for adotar a reciprocidade, você precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo, porque senão você perde o controle, o domínio da negociação. O Brasil tem esse instrumento, vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário”, disse em entrevista à Rádio Bandeirantes.
A Lei de Reciprocidade foi aprovada pelo Congresso e sancionada no início de 2025. A legislação prevê medidas que o Brasil pode tomar caso um país parceiro tome medidas que prejudiquem as exportações brasileiras sem uma justificativa plausível. O Brasil poderia, por exemplo, impor taxas e impostos sobre produtos dos EUA, retirar benefícios comerciais e suspender direitos de patentes ou propriedade intelectual.
A nova tarifa imposta pelo governo de Donald Trump entrou em vigor nesta quarta e afeta US$ 7,2 bilhões das exportações brasileiras para os norte-americanos.
O ministro enfatizou que houve, no período de 30 dias, mais de 30 encontros, nos quais os termos que levaram à aplicação da tarifa de 25% foram debatidos entre os dois países, mas que os EUA tomaram decisão que “não corresponde à realidade”.
“O Brasil negociou, foram mais de 30 reuniões. Em todas reuniões alguma proposta e alguma discussão. Mas é difícil demover quando a outra parte tem dificuldade para se conectar com a realidade”, frisou.
Em 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 38 bilhões. Conforme o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, com base nos dados do ano passado, a agência estima o impacto sobre os US$ 7,2 bilhões (18,9%).
Tarifaço dos EUA
A nova tarifa de 25% foi deliberada após a conclusão de investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) acerca de supostas “práticas desleais” do Brasil que prejudicariam empresas e exportadores norte-americanos.
Para impor a tarifa, o USTR cita como motivos para a medida tarifas preferenciais injustas adotadas pelo Brasil em relação a outros países, falhas no combate à corrupção, desleixo com a proteção da propriedade intelectual, dificuldades impostas para o acesso, pelos norte-americanos, ao mercado de etanol e falta de eficácia no combate ao desmatamento ilegal.
O documento faz ainda uma série de críticas ao Pix e ao Banco Central do Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos aponta que o Pix cria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital.
Do Metrópoles.

