Presidente diz que TRE-PB está preparado para enfrentar influência de facções nas eleições

Redação
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Desembargador Márcio Murilo afirma que casos envolvendo suspeitas de ligação com organizações criminosas serão analisados individualmente pela Justiça

Por Redação Paraíba Já -19 de agosto de 2026 às 18:34
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, afirmou nesta quarta-feira (19) que a Justiça Eleitoral paraibana está preparada para analisar casos envolvendo suspeitas de influência de organizações criminosas no processo eleitoral.

A declaração foi dada durante entrevista ao programa Meio-Dia Paraíba, da Rádio Pop, ao comentar a preocupação da Justiça Eleitoral com uma eventual interferência de facções criminosas nas eleições de 2026.

Segundo Márcio Murilo, o problema vem sendo discutido nacionalmente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que tem articulado medidas com os tribunais regionais, Ministério Público e órgãos de segurança.

“No caso específico de combater, reduzir a influência das orcrims, sim. O próprio ministro presidente do TSE e, à época antes também, a ministra Cármen Lúcia se reuniu e demonstrou preocupação efetiva em todo o Brasil sobre a influência eleitoral dessas orcrims”, declarou.

A preocupação mencionada pelo desembargador já havia motivado articulações institucionais. Em março, Márcio Murilo participou, em Brasília, de uma reunião estratégica conduzida pela então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, com representantes de 25 dos 27 TREs e da Polícia Federal. O encontro tratou da segurança das eleições de 2026 e de estratégias contra ameaças ao processo eleitoral.

Assista abaixo trecho da entrevista

Casos serão julgados individualmente
Durante a entrevista na Pop, o desembargador Márcio Murilo fez questão de destacar que uma manifestação do Ministério Público Eleitoral apontando eventual ligação de um candidato com organização criminosa não significa automaticamente que a Justiça chegará à mesma conclusão.

“Em acordo, em conversa com o Ministério Público, estamos aptos a julgar caso a caso. A gente não pode generalizar”, afirmou.

O presidente do TRE-PB explicou que Ministério Público e Judiciário possuem atribuições diferentes e que as acusações precisarão ser submetidas à análise judicial com base nas provas apresentadas em cada processo.

“O fato do Ministério Público entender que seria um compromisso de A, B ou C com orcrim, pode o Judiciário, dentro do sistema de progressão de instâncias, pensar de forma diferente do Ministério Público”, acrescentou.

Para Márcio Murilo, portanto, a existência de uma impugnação ou acusação apresentada pelo MPE não antecipa o resultado do julgamento. “O fato do MP ter a sua versão, o Judiciário pode ter outra ou pode ter a mesma versão do Ministério Público que impugnou”, ressaltou.

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