Tem coisas que a gente não vê no dia a dia, mas que ficam guardadas nos papéis, nos relatórios, nas contas que vão sendo empurradas para depois.
Um desses casos é a dívida do Município de Marí com a CAGEPA, que agora aparece num relatório oficial emitido em 18 de novembro de 2025.
Por mais de 10 anos, desde 2012, contas de água e esgoto de prédios públicos, escolas, unidades de saúde e repartições foram ficando para trás. Não é uma fatura perdida aqui, outra ali. É um rastro contínuo de meses e anos sem pagamento ou sem negociação verdadeira.
O resultado dessa história é simples de entender, mas difícil de engolir. O valor original das faturas soma R$ 1.582.344,09 (hum milhão, quinhentos e oitenta e dois mil, trezentos e quarenta e quatro reais e nove centavos. Quando o Valor da dívida é atualizado com multas, juros e correção, a soma chega a atingir a cifra de R$ 2.585.527,08 (dois milhões, quinhentos e oitenta e cinco mil, quinhentos e vinte e sete reais e oito centavos.
A diferença entre um número e outro não é apenas matemática. Ela mostra o efeito de algo que muita gente conhece na vida pessoal: quando a conta não é paga, a dívida não some. Ela cresce.
Multa, juros, correção, encargos tudo isso foi sendo somado, mês após mês, até virar um peso real nas costas do município.
E esse peso não é abstrato. Ele reduz dinheiro para investimento, entra nos números oficiais da contabilidade, pressiona o Tesouro Municipal e ocupa espaço no orçamento que poderia estar em outras áreas.
Além disso, a dívida abre outra porta de preocupação. Risco de ação judicial, possíveis bloqueio de valores, risco de suspensão de serviços de água em prédios públicos, dificuldade para emitir certidões, firmar convênios e receber recursos voluntários.
Em resumo: não é “só água”. É credibilidade, planejamento e capacidade de fazer o básico funcionar sem sobressaltos.
Quando um relatório oficial mostra que, por mais de uma década, as contas ficaram se acumulando, uma pergunta aparece sozinha na cabeça de qualquer cidadão: “Quem estava cuidando disso enquanto a dívida crescia em silêncio?”
Não é preciso que ninguém responda em voz alta. Os números já contam parte da história.
Algumas contas a cidade paga com dinheiro. Outras, com tempo, confiança e consequências. Essa, infelizmente, envolve tudo ao mesmo tempo.
Fonte: VALE NEWS PB

