O recente episódio ocorrido em Guarabira vai além de uma simples ausência em agenda institucional. Ele revela, de forma preocupante, como ainda se trata a comunicação em determinados espaços de poder.
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Uma entidade representativa dos comunicadores promoveu um convite formal para uma homenagem. Não era um evento qualquer. Tratava-se de um reconhecimento àqueles que diariamente exercem o papel de informar, fiscalizar e dar voz à sociedade. Ainda assim, o que se viu foi o esvaziamento por parte de lideranças políticas que, em tese, deveriam compreender o peso desse gesto.
Não se trata de protocolo. Trata-se de postura.
Quando agentes públicos deixam de prestigiar iniciativas que valorizam a comunicação, o sinal que se transmite é claro — ainda que não declarado: o de que a imprensa pode ser secundarizada. E isso é grave.
A comunicação não é acessório de governo. Não é ferramenta ocasional. É um dos pilares da democracia. É por meio dela que o cidadão acompanha, cobra, participa e exerce sua cidadania de forma plena.O caso ocorrido em Guarabira não deve ser tratado como algo trivial. Ausências também comunicam. Silêncios também dizem muito. E, nesse contexto, o que ficou foi a sensação de distanciamento entre o discurso público de valorização e a prática efetiva.
E aqui cabe lembrar um ensinamento popular que atravessa gerações, eternizado por Chacrinha: “Quem não se comunica se trumbica”. A frase, embora simples, carrega uma verdade incontornável — ignorar a comunicação é, em última instância, comprometer a própria relação com a sociedade. Como ensina Paul Watzlawick, “é impossível não se comunicar”, sendo este o primeiro axioma da teoria da comunicação humana, isso significa dizer, que cada gesto comunica.
Neste caso específico, tanto a ausência da prefeita Léa Toscano quanto a da deputada Camila Toscano (filha da prefeita), como representantes do povo guarabirense, comunicaram, de forma clara, um sinal de desconsideração para com os profissionais da imprensa e a entidade que os representa. O gesto desses atores políticos comunicou uma postura incompatível com o respeito devido aos profissionais que fazem a imprensa guarabirense e do Brejo paraibano.
A comunicação e os comunicadores merecem ser tratados com a seriedade que lhes é devida. E isso não pode nem deve ser relativizado.
FábioCamilo
Jornalista e Presidente da Federação Nacional dos Comunicadores

