O discurso apresentado pela direção do Hospital Regional Dr. Sá Andrade, em Sapé, sobre a qualidade da estrutura e do atendimento prestado à população encontra resistência fora dos corredores da unidade. Enquanto, em entrevista, o diretor destacou investimentos, melhorias e a capacidade do hospital de atender pacientes da região, moradores e usuários do serviço continuam utilizando as redes sociais para relatar dificuldades que, segundo eles, fazem parte da rotina da instituição.A diferença entre o discurso institucional e as manifestações de pacientes reacende um debate antigo: qual é, de fato, a realidade enfrentada por quem procura atendimento no hospital?
Na entrevista concedida a Rádio Cultura de Guarabira e repercutida no portal O Farol PB, o diretor apresentou um panorama positivo da unidade, ressaltando a estrutura física, a equipe multiprofissional e os serviços oferecidos. A mensagem transmitida é de um hospital preparado para atender a população e comprometido com a melhoria contínua da assistência.
Entretanto, uma rápida consulta às redes sociais revela um cenário diferente. Comentários publicados por pacientes e familiares apontam problemas como demora no atendimento, reclamações sobre a disponibilidade de medicamentos, dificuldades na realização de procedimentos e críticas ao acolhimento oferecido aos usuários. Embora esses relatos representem experiências individuais e não constituam, por si só, prova dos fatos narrados, o volume e a recorrência das manifestações chamam a atenção e alimentam o debate público sobre a qualidade do serviço.
Além das reclamações nas plataformas digitais, a situação da unidade já foi alvo de fiscalizações e reportagens em diferentes momentos. Em inspeções anteriores, órgãos de fiscalização identificaram necessidades de adequações estruturais e administrativas, enquanto veículos de comunicação divulgaram denúncias relacionadas à falta de medicamentos e às condições de funcionamento do hospital. Esses episódios reforçam a importância de um acompanhamento permanente das condições da unidade e da transparência na prestação de contas à sociedade.Nas redes sociais também circulam acusações mais graves envolvendo supostas irregularidades praticadas dentro do hospital. Até o momento, contudo, não há confirmação pública dessas alegações por meio de decisões judiciais ou conclusões oficiais de investigações. Por essa razão, tais conteúdos devem ser tratados como denúncias que, caso existam procedimentos em andamento, precisam ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes.
O contraste entre a narrativa institucional e a percepção de parte da população evidencia um desafio que vai além da infraestrutura. A confiança no sistema público de saúde depende não apenas dos investimentos realizados, mas também da experiência vivida diariamente pelos usuários, da disponibilidade de insumos, da agilidade no atendimento e da transparência na gestão.
Diante desse cenário, cresce a expectativa para que a direção do Hospital Regional Dr. Sá Andrade apresente dados objetivos sobre indicadores de atendimento, abastecimento de medicamentos, tempo médio de espera, produtividade e eventuais providências adotadas diante das reclamações registradas pelos pacientes.
A população, por sua vez, espera que as respostas não se limitem ao discurso institucional. Em saúde pública, a percepção do cidadão é um indicador que merece atenção. Quando elogios e críticas caminham em sentidos opostos, cabe aos gestores esclarecer os fatos, responder às demandas da sociedade e garantir que a qualidade anunciada também seja percebida por quem depende diariamente dos serviços oferecidos pela unidade.
Redação/ExpressoPB

