Opinião – SSCOM https://sscom1.com.br JORNALISMO COM ÉTICA Tue, 14 Apr 2026 17:40:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://sscom1.com.br/wp-content/uploads/2025/10/cropped-Copia-de-SSCOM-32x32.png Opinião – SSCOM https://sscom1.com.br 32 32 Opinião: Escolha técnica, gestão forte — Marí fortalece a saúde com a união de Alexandre Magno Paiva e Thiago Pereira https://sscom1.com.br/2026/04/14/opiniao-escolha-tecnica-gestao-forte-mari-fortalece-a-saude-com-a-uniao-de-alexandre-magno-paiva-e-thiago-pereira/ https://sscom1.com.br/2026/04/14/opiniao-escolha-tecnica-gestao-forte-mari-fortalece-a-saude-com-a-uniao-de-alexandre-magno-paiva-e-thiago-pereira/#respond Tue, 14 Apr 2026 17:40:41 +0000 https://sscom1.com.br/?p=6701

A nomeação de Alexandre Magno Paiva como Secretário Adjunto de Saúde de Mari não é apenas mais um ato administrativo — é uma decisão que evidencia a valorização de quem conhece, na prática, a realidade do serviço público e construiu sua trajetória com trabalho, preparo e compromisso.

Servidor da saúde municipal desde 2006, Alexandre reúne experiência sólida, tendo atuado em praticamente todos os setores da Secretaria. Essa vivência ampla o credencia não apenas como gestor, mas como alguém que compreende profundamente o funcionamento da rede, os desafios diários e, sobretudo, as necessidades da população. Sua formação em Contabilidade, Gestão de Sistemas de Informação e Direito reforça um perfil técnico e estratégico, essencial para os novos desafios da gestão pública.

Ao lado do atual Secretário de Saúde, Thiago Pereira, forma-se uma união administrativa que já nasce forte. Ambos possuem histórico consolidado de atuação na saúde do município de Mari, com trabalhos reconhecidamente destacáveis ao longo dos anos. Não se trata de uma aposta, mas da consolidação de uma parceria que reúne experiência, conhecimento e alinhamento de propósitos.

A sintonia entre Alexandre Magno Paiva e Thiago Pereira projeta uma gestão ainda mais eficiente, integrada e comprometida com resultados concretos. A expectativa é clara: avançar, qualificar os serviços e fortalecer o SUS municipal com ações que impactem diretamente a vida da população.

Sem dúvida, a dupla representa um novo momento para a saúde de Mari — marcado pela união, pela competência e por uma visão de futuro que coloca o cidadão no centro das decisões. A projeção é de grandes entregas, sustentadas por trabalho sério, planejamento e compromisso público.

Por Alexandre Kennedy

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A emenda saiu pior que o soneto https://sscom1.com.br/2026/03/23/a-emenda-saiu-pior-que-o-soneto/ https://sscom1.com.br/2026/03/23/a-emenda-saiu-pior-que-o-soneto/#respond Mon, 23 Mar 2026 20:55:10 +0000 https://sscom1.com.br/?p=6265

Há um velho ditado popular que atravessa gerações com a força da sabedoria simples: “a emenda saiu pior que o soneto”. Poucas vezes ele pareceu tão adequado quanto no recente episódio envolvendo a GloboNews e a tentativa de explicação levada ao ar hoje a tarde pela jornalista Andréia Sadi.

O que deveria ser um gesto de transparência, uma retratação, um esclarecimento, um ajuste de rumo, acabaram produzindo o efeito inverso. Em vez de dissipar dúvidas, aprofundou suspeitas. Em vez de esclarecer os fatos, embaralhou ainda mais a narrativa. A fala, cuidadosamente construída para conter danos, revelou fissuras que talvez passassem despercebidas não fosse o excesso de zelo em justificar o injustificável.

A impressão que ficou foi a de que não se tratava apenas de corrigir um erro pontual, mas de sustentar uma linha editorial previamente definida. E é justamente aí que reside o problema central: quando a explicação parece mais um exercício de controle de narrativa do que um compromisso genuíno com a verdade, o jornalismo perde sua essência e se aproxima perigosamente da propaganda.

No caso do chamado “escândalo Master”, a tentativa de reposicionar o discurso acabou evidenciando um movimento de deslocamento de responsabilidades. Ao suavizar o papel de alguns atores e, ao mesmo tempo, insinuar culpas em outros, construiu-se uma versão que soa menos como apuração rigorosa e mais como conveniência narrativa. E o público, cada vez mais atento e desconfiado, percebe.

A credibilidade de uma organização jornalística não se sustenta apenas na velocidade da informação, mas, sobretudo, na consistência entre o que se noticia e o que se explica depois. Quando essa harmonia se rompe, o dano não é apenas reputacional: é institucional.

O episódio reforça uma lição antiga, mas sempre atual: em tempos de hiperexposição e escrutínio constante, não basta tentar corrigir o rumo, é preciso fazê-lo com honestidade intelectual. Do contrário, a emenda não apenas sai pior que o soneto, como transforma o próprio soneto em peça de desconfiança pública.

No fim, fica a pergunta que ecoa além deste caso específico: até que ponto o público ainda está disposto a aceitar versões que parecem mais cuidadosamente moldadas do que verdadeiramente investigadas? A resposta, ao que tudo indica, está sendo dada diariamente e não favorece quem subestima a inteligência de quem assiste.

Por Rui Leitão

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Uma dancinha inexplicável Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/23/uma-dancinha-inexplicavel-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/23/uma-dancinha-inexplicavel-por-rui-leitao/#respond Mon, 23 Mar 2026 12:04:26 +0000 https://sscom1.com.br/?p=6245

Há algo de profundamente contraditório e revelador na postura recente do candidato Flávio, expoente da extrema direita. Em seus atos de pré-campanha pelo país, ele se entrega a performances coreografadas, dançando de maneira efusiva, quase festiva, como se estivesse em permanente celebração. A cena, por si só, já causaria estranhamento diante do ambiente político que o cerca.

Mas o contraste se torna ainda mais agudo quando, no mesmo palco, o tom muda abruptamente. O candidato abandona o ritmo leve e assume o papel de filho aflito, evocando o estado de saúde do pai, preso sob acusação de tentativa de golpe de Estado. A narrativa passa então a ser de vitimização, como se buscasse sensibilizar o público por meio de um drama pessoal cuidadosamente inserido no discurso político.

Essa alternância entre euforia e lamentação não parece casual. Ao contrário, sugere uma estratégia deliberada: mobilizar emoções distintas, ora a adesão festiva, ora a compaixão, conforme a conveniência do momento. O que poderia ser apenas incoerência revela-se, na verdade, cálculo.

O problema é que tal comportamento expõe um paradoxo difícil de sustentar. Como conciliar a leveza quase carnavalesca das danças com a gravidade de um discurso que denuncia supostas injustiças e perseguições? Como pedir solidariedade enquanto se celebra? A política, quando se apoia excessivamente na manipulação emocional, corre o risco de perder a conexão com a realidade e com a própria coerência.

No fim das contas, a dancinha não é inexplicável. Ela faz parte de um roteiro. E talvez seja justamente isso o mais inquietante: não se trata de espontaneidade, mas de encenação.

Rui Leitão

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O VERGONHOSO POWERPOINT DA GLOBONEWS Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/22/o-vergonhoso-powerpoint-da-globonews-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/22/o-vergonhoso-powerpoint-da-globonews-por-rui-leitao/#respond Sun, 22 Mar 2026 17:17:51 +0000 https://sscom1.com.br/?p=6225

Houve um tempo em que a credibilidade de um veículo jornalístico era construída com apuração rigorosa, sobriedade editorial e compromisso com o interesse público. Mas vivemos uma era em que, entre a pressa do “urgente” e a ânsia pelo espetáculo, até mesmo canais que se orgulhavam de sua seriedade transformaram o noticiário em show multimídia. Foi assim que a GloboNews protagonizou uma cena que ficará registrada como um marco de constrangimento televisivo: o vergonhoso PowerPoint exibido como se fosse a grande revelação da verdade, aquela verdade pronta, arrumadinha e artificial, que só existe na imaginação de quem pretende convencer antes de informar.

O episódio escancarou as fragilidades de um jornalismo que, ao tentar parecer didático, termina sendo pueril. Um festival de setas, círculos, caixas coloridas e conclusões apressadas foi apresentado como se sintetizasse uma complexa realidade política. Os apresentadores, convictos da “pedagogia” visual, pareciam não perceber que, na ânsia de conectar pontos, fabricaram uma narrativa que mais sugeria do que explicava. Faltou nuance, sobrou pretensão.

Não foi a primeira vez que o país assistiu a um PowerPoint constrangedor. Todos lembramos do espetáculo inquisitorial de outros tempos, quando autoridades confundiam convicção com prova. A GloboNews, ao reproduzir a estética e a lógica daquele velho show, pareceu esquecer as lições que a história recente ofereceu ao jornalismo: simplificar o que é complexo costuma deformar; tentar “ensinar” o público com esquemas prontos frequentemente o subestima.

O mais lamentável, porém, é perceber que o recurso ao sensacionalismo gráfico não foi acidente. Foi escolha. Uma aposta no impacto visual em detrimento da profundidade analítica. Um esforço para viralizar, e não para esclarecer. Porque, no fim, o PowerPoint da GloboNews revelou mais sobre a emissora do que sobre o tema que ela pretendia analisar: revelou pressa, superficialidade e uma inquietante dependência do espetáculo como linguagem.

Talvez a maior lição desse episódio seja lembrar que, quando o jornalismo abdica da precisão, a confiança do público evapora. Cada seta mal desenhada empurra um pouco mais o telespectador para longe. Cada conclusão montada em slide reforça a sensação de que a imprensa se preocupa mais em performar do que em informar. E, num país que já convive com tamanha polarização, fabricar ruídos é o oposto do que se espera de quem tem a missão de esclarecer.

O PowerPoint passou. A vergonha ficou. E o jornalismo, esse sim, merece algo mais do que setas coloridas apontando para lugar nenhum.

Rui Leitão

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O Belo de novo em transformação https://sscom1.com.br/2026/03/21/o-belo-de-novo-em-transformacao/ https://sscom1.com.br/2026/03/21/o-belo-de-novo-em-transformacao/#respond Sat, 21 Mar 2026 14:38:29 +0000 https://sscom1.com.br/?p=6205

A inauguração do Estádio Almeidão, em 1976, representou para João Pessoa um marco de expectativa e renovação. A cidade ganhava, enfim, uma praça esportiva à altura de suas ambições e junto com ela surgia a esperança de que seus clubes, sobretudo o Botafogo, pudessem se projetar para disputar certames regionais e nacionais.

Essa atmosfera de confiança remete ao clima que envolve o jogo de hoje, quando o “Belo” pode conquistar mais um título estadual diante de sua torcida. O Almeidão volta a pulsar com aquele mesmo sentimento de possibilidades abertas.

Foi exatamente em um momento semelhante, de crença e reconstrução, que, em meados dos anos 1970, João Pessoa recebeu o empresário paulista José Flávio Pinheiro Lima. Dono de uma grande indústria de adesivos que instalava na capital paraibana, ele trazia consigo algo raríssimo para o futebol local: experiência administrativa, visão empresarial e relações diretas com o centro do futebol brasileiro. Apaixonado pelo esporte e conselheiro do São Paulo Futebol Clube, mostrou interesse em participar da diretoria botafoguense, um presente inesperado para o time mais popular do estado.

A eleição de José Flávio para presidente do Botafogo representou, para aquela época, o que hoje se poderia chamar de um salto de gestão. Era, guardadas as proporções históricas, um movimento parecido com o que o clube vive atualmente ao se transformar em SAF.

Assim como a chegada de Pinheiro Lima prometia organização, profissionalização e investimentos, a nova fase empresarial do Botafogo renova o compromisso de formar um time competitivo não apenas no cenário estadual, mas também no regional e no nacional.

A comparação é inevitável: nos anos 1970, um dirigente com visão moderna; hoje, um modelo de governança que busca sustentabilidade, planejamento e ambição esportiva.

A posse da diretoria comandada por José Flávio foi um acontecimento marcante. Celebrada primeiro com uma missa na Basílica Nossa Senhora das Neves e concluída no gramado do Almeidão, lotado para o amistoso contra o Santa Cruz, reuniu autoridades, cronistas esportivos paulistas e torcedores em festa. Ao lado do novo presidente, integravam a diretoria Sérgio Penazzi, Laerson de Almeida, Luisão e Fernando Milanez Filho.

Logo se veria que aquela gestão inaugurava uma nova era. Foram contratados jogadores expressivos do futebol nordestino e, usando seu prestígio no São Paulo, trouxe por empréstimo quase um elenco inteiro, de onde despontaram atletas como Vinicius, Zé Luís, Lucas, Roberto Viana e o jovem Muller. Atendendo à sugestão do radialista Ivan Tomás, acrescentou o vermelho à estrela do escudo, diferenciando o Botafogo paraibano do homônimo carioca.

Sob a direção técnica de Pedrinho Rodrigues, o Botafogo atingiu um patamar de visibilidade nacional pouco usual para a época. O clube tornava-se conhecido, respeitado, ambicioso, exatamente o tipo de transformação que a atual SAF promete recriar, adaptada às exigências do futebol moderno.

Eu estive presente àquele domingo histórico. E, desde então, acompanhei o time por onde jogasse, colecionando memórias que me chegam vivas toda vez que o Almeidão se enche de esperança.

Hoje, com o clube vivendo uma fase de reorganização e investimento, a história parece completar um ciclo. Assim como aconteceu em 1976, há novamente a perspectiva de crescimento, profissionalismo e ousadia.

Se naquela época José Flávio Pinheiro Lima inaugurou uma nova mentalidade, agora cabe à SAF provar que consegue transformar esse mesmo espírito em conquistas duradouras, a começar pelo título que o Botafogo pode conquistar nesta tarde diante de sua apaixonada torcida.

Novamente, assim como em 1976, estarei presente para participar dessa festa, na confiança de que sairei do Almeidao comemorando o título tão esperado.

Rui Leitão

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LULA: ENTRE O AMOR E O ÓDIO Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/20/lula-entre-o-amor-e-o-odio-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/20/lula-entre-o-amor-e-o-odio-por-rui-leitao/#respond Fri, 20 Mar 2026 01:11:31 +0000 https://sscom1.com.br/?p=6194

Inicio este texto evocando a canção “As Aparências Enganam”, de Sérgio Natureza e Tunai, imortalizada na voz de Elis Regina. Nos versos “As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam / Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões” encontra-se uma síntese precisa do Brasil contemporâneo. Poucas figuras expressam tão bem essa tensão quanto Luiz Inácio Lula da Silva.

O país segue prisioneiro de heranças profundas. Não superamos por completo o ranço colonial, escravocrata e excludente que moldou nossa formação social. Isso se revela na maneira como parcelas da sociedade reagem à presença de Lula no centro da vida política. De um lado, admiração, respeito e identificação. De outro, um ódio que, muitas vezes, prescinde de explicações racionais e se manifesta como rejeição visceral.

Há quem atribua essa polarização apenas ao campo ideológico. Mas essa leitura, embora conveniente, parece insuficiente. O que se percebe, em muitos casos, é algo mais profundo: o incômodo histórico diante da ascensão de um líder que rompeu padrões. Um ex-operário, nordestino, oriundo das camadas populares, que chegou à Presidência da República pelo voto, desafiando estruturas simbólicas arraigadas.
A narrativa de que Lula representaria uma ameaça comunista não resiste ao confronto com os fatos.

Durante seus governos, o país experimentou crescimento econômico, inclusão social e estabilidade institucional, sem ruptura com a ordem democrática ou com o sistema de mercado. Ao contrário: setores da economia, da indústria ao agronegócio, do comércio ao sistema financeiro, obtiveram resultados expressivos.

Ainda assim, persiste a resistência. Parte das elites brasileiras, ainda ancorada no imaginário da casa-grande, demonstra dificuldade em reconhecer o lugar histórico que Lula ocupa. As políticas de inclusão social, a ampliação de oportunidades e a tentativa de reduzir desigualdades não são vistas apenas como medidas de governo, mas como afrontas simbólicas a uma ordem tradicional.

A isso se soma o papel de segmentos da mídia, que frequentemente tratam sua trajetória de forma seletiva, omitindo ou relativizando o reconhecimento internacional que o líder brasileiro conquistou. Não por acaso, observadores estrangeiros costumam enxergar com mais nitidez aquilo que, internamente, ainda se contesta.

O diplomata Milton Rondó sintetizou essa contradição ao afirmar que Lula é mais aceito pelo establishment internacional do que pelas oligarquias locais. A frase expõe um país dividido não apenas por ideias, mas por visões de mundo e por disputas de pertencimento social.

No fim, permanece a pergunta inevitável: que Brasil queremos construir? Um país guiado pelo ressentimento, pela exclusão e pelo ódio, ou uma nação que, mesmo em meio às divergências, seja capaz de reconhecer sua diversidade, valorizar suas origens e apostar na convivência democrática?

Entre o amor e o ódio, o que está em jogo não é apenas a figura de um líder, mas o próprio futuro do Brasil.

Por Rui Leitão

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Sem urnas, sem voto, sem democracia Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/19/sem-urnas-sem-voto-sem-democracia-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/19/sem-urnas-sem-voto-sem-democracia-por-rui-leitao/#respond Thu, 19 Mar 2026 13:10:25 +0000 https://sscom1.com.br/?p=6179

A Constituição de 1934 previa a realização de eleições presidenciais três anos após sua promulgação. Entre os candidatos estava José Américo de Almeida, que enfrentaria Armando de Sales Oliveira e Plínio Salgado.

No dia 31 de julho de 1937, uma multidão reuniu-se na Esplanada do Catete para ouvir José Américo. Foi o ponto mais alto de sua campanha, articulada por Juracy Magalhães e coordenada por Benedito Valadares. Ex-ministro de Getúlio Vargas e integrante do Tribunal de Contas da União, ele surgia como um nome de peso na sucessão presidencial.

O país, porém, vivia sob tensão. Desde 1936, medidas de exceção haviam sido adotadas após as revoltas comunistas de 1935. O “perigo vermelho” era explorado como instrumento político para justificar o endurecimento do regime.

Dentro do próprio governo, sua candidatura enfrentava resistências. Vargas, embora formalmente aliado, agia com ambiguidade. José Américo, de perfil independente, não oferecia garantias de submissão aos grupos militares que sustentavam o poder desde 1930.

Em seus discursos, alertava: “não se destruirá a liberdade dos brasileiros com falsos regimes de autoridade”. Era um aviso direto contra o avanço autoritário que já se insinuava no horizonte político.

Em setembro, o Plano Cohen, uma fraude fabricada por integralistas, difundiu o medo de uma insurreição comunista. Vargas utilizou o episódio para decretar o estado de guerra. Em novembro, impôs uma nova Constituição e instaurou o Estado Novo.

A eleição simplesmente deixou de existir.
José Américo não foi derrotado por adversários, nem pelo voto popular. Foi impedido de disputar. Sua candidatura foi esmagada por um golpe que suprimiu o direito do povo de escolher seu presidente.

Mais do que interromper uma eleição, o que se consumou em 1937 foi a destruição deliberada da ordem democrática. Rasgou-se a Constituição, silenciou-se a vontade popular e institucionalizou-se o autoritarismo como método de governo.

O episódio permanece como um dos mais graves atentados à democracia brasileira, um lembrete de que, quando o poder teme o voto, não hesita em eliminá-lo.

Rui Leitão

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OPINIÃO: Por Manuel Batista – Sem gritar, ela respondeu: o discurso de Lucinha que surpreendeu a câmara https://sscom1.com.br/2026/03/18/opiniao-por-manuel-batista-sem-gritar-ela-respondeu-o-discurso-de-lucinha-que-surpreendeu-a-camara/ https://sscom1.com.br/2026/03/18/opiniao-por-manuel-batista-sem-gritar-ela-respondeu-o-discurso-de-lucinha-que-surpreendeu-a-camara/#respond Wed, 18 Mar 2026 22:50:02 +0000 https://sscom1.com.br/?p=6172 A primeira ida da prefeita Lucinha da Saúde à Câmara Municipal, após assumir o mandato, não foi marcada por embates, acusações ou disputas políticas. Ao contrário. O que se viu foi um discurso carregado de emoção, mas também de equilíbrio, algo cada vez mais raro no cenário político atual.

Logo no início, a prefeita trouxe à tona um tema sensível: “Se tem violência, também tem palavras que machucam a mulher.”

A fala revelou algo que vai além da política. Trata-se do reconhecimento de uma dor real, vivida publicamente. Mas o ponto mais importante não é a denúncia em si, é a forma como ela conduziu essa narrativa.

Lucinha não transformou a dor em ataque. Não respondeu com confronto. Ela reconheceu, expôs e seguiu. E isso faz diferença.

Aqui não há discurso técnico. Há história vivida. E isso gera identificação.

Outro ponto que chamou a atenção foi a forma como ela enxerga sua chegada ao poder: “Hoje Deus botou eu aqui.”

Mais do que uma expressão religiosa, essa fala carrega um sentido psicológico importante. Ela não trata o cargo apenas como conquista política, mas como missão. Isso fortalece sua imagem de liderança, principalmente em um contexto onde valores como fé e propósito têm forte presença na cultura local.

Ao mencionar a não aprovação da Secretaria das Mulheres, Lucinha demonstrou tristeza. Mas não transformou isso em ataque. Em vez de personalizar o problema ou buscar culpados, ela reconhece a dificuldade e, mais uma vez seguiu em frente.

Em tempos de discursos inflamados, essa postura chama atenção. Porém, o momento mais simbólico do discurso veio no final: “Vamos se unir… vamos pegar nas mãos…”
Naquele momento, a prefeita fez uma escolha clara: em vez de dividir, ela convidou. Esse tipo de posicionamento foge do padrão tradicional da política local, que muitas vezes se alimenta de conflitos. Em um ambiente político marcado por disputas intensas, essa postura não é comum.

A fala de Lucinha na Câmara não foi apenas um discurso institucional. Foi uma demonstração clara de estilo.

Enquanto muitos constroem liderança no confronto, ela aposta na aproximação. Enquanto outros respondem com ataque, ela responde com convite.

Resta saber como esse modelo será recebido ao longo do tempo. Mas uma coisa já é possível afirmar: “não é apenas o que se diz na política que importa, é como se diz.”

Manuel Batista – Autor

Redação/Por Manuel Batista – Escritor, ativista cultural, servidor público
Foto Reprodução

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A classe média e o voto contra si Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/18/a-classe-media-e-o-voto-contra-si-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/18/a-classe-media-e-o-voto-contra-si-por-rui-leitao/#respond Wed, 18 Mar 2026 12:47:04 +0000 https://sscom1.com.br/?p=6167

Uma das razões pelas quais a classe média se posiciona ideologicamente à direita é o desejo de manter seu grupo social em uma situação de superioridade em relação às classes populares. As manifestações reacionárias protagonizadas por segmentos dessa classe também revelam um traço saudosista de períodos autoritários, quando hierarquias sociais eram mais rígidas e menos contestadas. Somam-se a isso o conservadorismo e um moralismo seletivo.

Percebe-se, ainda, um temor recorrente diante de discursos progressistas voltados à promoção da inclusão social. Um exemplo emblemático foi a aprovação, em 2013, da chamada PEC das Domésticas, que estendeu às trabalhadoras domésticas direitos já assegurados a outros empregados formais. A reação negativa expôs o incômodo de setores da classe média diante da quebra de privilégios historicamente naturalizados. O mesmo ocorreu com a democratização do acesso às universidades públicas, por meio de políticas de cotas raciais e sociais, que alteraram a composição social desses espaços.

Para muitos, tornou-se desconfortável dividir ambientes antes considerados exclusivos, seja na universidade, seja nos aeroportos, ironicamente comparados a rodoviárias. O ex-ministro Paulo Guedes sintetizou esse pensamento ao criticar o acesso ampliado ao consumo, mencionando, de forma preconceituosa, a possibilidade de empregadas domésticas viajarem ao exterior.

O paradoxo é evidente: a classe média é formada majoritariamente por trabalhadores assalariados, dependentes da venda de sua força de trabalho. Ainda assim, comporta-se simbolicamente como elite, cultivando distinções que lhe garantam uma sensação de superioridade econômica e moral. Essa aspiração a aproxima de pautas políticas contrárias às políticas sociais, vistas como ameaça a seus já limitados privilégios.

Mesmo submetida a pressões econômicas, como o alto custo da educação privada e dos serviços de saúde, essa classe frequentemente direciona sua insatisfação não à elite que concentra renda e poder, mas às camadas mais pobres, reforçando uma lógica de exclusão. Em muitos casos, adere a discursos que deslegitima a ascensão social de grupos historicamente marginalizados e rejeita lideranças oriundas dessas camadas.

A classe média brasileira vive, assim, sob o signo do medo: medo de perder seu padrão de consumo, seu acesso a bens e, sobretudo, sua posição relativa na estrutura social. Como observa Jessé Souza, trata-se de um grupo que luta para preservar estruturas que impedem a consolidação de uma democracia efetivamente inclusiva. Nesse contexto, a direita opera com eficiência ao explorar inseguranças e reforçar a percepção de ameaça.

No fundo, a engrenagem funciona com precisão: o pobre acredita ter ascendido, a classe média imagina-se elite e a elite real permanece invisível, exercendo seu poder sem ser questionada.

É nesse jogo de ilusões que se sustenta uma das mais eficazes formas de dominação social e uma das maiores barreiras à construção de um país mais justo.

Rui Leitão

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O MODISMO QUE EMPOBRECE O PORTUGUÊS https://sscom1.com.br/2026/03/17/o-modismo-que-empobrece-o-portugues/ https://sscom1.com.br/2026/03/17/o-modismo-que-empobrece-o-portugues/#respond Tue, 17 Mar 2026 19:27:23 +0000 https://sscom1.com.br/?p=6148

É realmente impressionante, mas também preocupante, observar no cotidiano como o nosso vocabulário vem sendo substituído por palavras estrangeiras, sobretudo do inglês. A internet, as redes sociais, o mundo corporativo, o marketing, a comunicação midiática e até o entretenimento adotam expressões que rapidamente passam a fazer parte da nossa fala diária.

Já não se combina mais uma reunião: agenda-se um meeting. A opinião ou resposta agora é considerada um feedback. O prazo virou deadline. Trabalhar em casa ganhou o nome de home office. São apenas alguns exemplos de um fenômeno que cresce silenciosamente.

A língua portuguesa, tão rica em sonoridade, história e expressividade, vem sendo trocada por palavras que nada acrescentam, a não ser o abandono da nossa tradição cultural, contribuindo para o enfraquecimento da identidade linguística.

O português que herdamos, com raízes latinas, foi enriquecido por influências indígenas, africanas e europeias, constituindo-se em um patrimônio imaterial incalculável. Não se trata de defender um purismo exagerado ou de rejeitar qualquer influência estrangeira, algo que sempre ocorreu na história das línguas. O que se questiona é o uso frequente e desnecessário de termos que não fazem parte do nosso vocabulário, desprezando palavras claras, expressivas e perfeitamente compreensíveis da nossa própria língua.

Preservar o português é, acima de tudo, preservar a nossa identidade cultural. Quando deixamos de valorizar as palavras do nosso idioma, corremos o risco de, pouco a pouco, enfraquecer aquilo que também nos define como povo. Muitas vezes, parece que se imagina que a substituição do português por expressões estrangeiras transmite uma falsa aparência de modernidade. Ariano Suassuna já nos advertia disso.

O que causa estranheza é a facilidade com que estamos abrindo mão do que é nosso.
A língua é muito mais do que um simples instrumento de comunicação. Ela carrega a memória de um povo, suas experiências, sua história e suas formas de viver e de pensar. Estamos, então, dando demonstração de opção por um colonialismo cultural

Esse modismo exagerado e desnecessário tem contribuído para a alteração do nosso vocabulário cotidiano. No entanto, o português não precisa de disfarces para ser moderno, nem de empréstimos constantes para continuar sendo belo e atual. Ele já é rico por natureza. Basta que continuemos a utilizá-lo com o respeito e o carinho que um patrimônio cultural merece.

Rui Leitão

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