Opinião – SSCOM https://sscom1.com.br JORNALISMO COM ÉTICA Fri, 06 Mar 2026 11:35:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://sscom1.com.br/wp-content/uploads/2025/10/cropped-Copia-de-SSCOM-32x32.png Opinião – SSCOM https://sscom1.com.br 32 32 Entre a emoção e a razão: as palavras Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/06/entre-a-emocao-e-a-razao-as-palavras-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/06/entre-a-emocao-e-a-razao-as-palavras-por-rui-leitao/#respond Fri, 06 Mar 2026 11:35:05 +0000 https://sscom1.com.br/?p=5842

Somos, a todo momento, alcançados pelo poder das palavras. Elas refletem pensamentos e sentimentos. Podem nos impactar positivamente, mas também podem produzir consequências negativas — tanto aquelas que pronunciamos quanto as que ouvimos. Há quem diga que as palavras revelam o coração. Jesus nos ensinou que “a boca fala daquilo de que está cheio o coração”. Seja de amor ou de ódio, de solidariedade ou de hostilidade, de apoio ou de aversão.

Daí o perigo de se proferir palavras equivocadas quando surgem discussões acaloradas, algo muito comum nos debates apaixonados. Emocionalmente afetados, os interlocutores muitas vezes partem para as ofensas, a maledicência e os julgamentos indevidos. O próprio tom da voz já revela o grau de exaltação contido nas palavras pronunciadas.

Vivemos um tempo em que os ânimos estão inflamados por posicionamentos políticos que colocam em choque ideias e convicções. Nesse clima de excitação, as pessoas falam movidas pela raiva, pela discórdia e pela desarmonia, terminando por atacar umas às outras impulsivamente. Amigos passam a se desconhecer, parentes se estranham, num perigoso embate em que as palavras exercem um poder devastador nas relações sociais.

Nesses momentos, é preciso desenvolver uma postura de autocontrole e buscar um estado mental de equilíbrio, por maiores que sejam as provocações. Afinal, há um antigo adágio popular que afirma ser impossível haver briga quando um dos interlocutores não quer. O comedimento nas palavras expressa sensatez, traduz respeito ao próximo e representa, sobretudo, a prevalência da razão sobre a emoção. É assim que se torna possível a crítica construtiva, livre de radicalismos e capaz de contribuir para a formação de opiniões mais convergentes.

Confesso que também tenho sido tentado a entrar nesse conflito temperamental quando me vejo motivado a defender meus pontos de vista diante de pensamentos diferentes.
Nessas ocasiões, percebo que posso perder a calma. Às vezes, até com certo atraso, dou-me conta de que disse o que não devia ou ouvi o que preferiria não escutar. O que começou como uma conversa amistosa transforma-se em discussão imprudente, provocando mágoas e ressentimentos. Certamente esse não é o melhor caminho para quem deseja estabelecer um debate sério e responsável sobre qualquer assunto.

Talvez por isso eu tenha aprendido, ainda que lentamente, a respeitar mais o peso das palavras. Nem sempre consigo. Às vezes também me deixo levar pelo calor da discussão e, depois, já em silêncio, fico pensando que teria sido melhor escolher outras palavras — ou talvez nenhuma. A vida acaba nos ensinando que as palavras podem construir pontes, mas também podem erguer muros difíceis de derrubar. E talvez a verdadeira sabedoria esteja justamente nesse cuidado cotidiano de pensar antes de falar, para que nossas palavras não firam aquilo que, no fundo, desejamos preservar: o respeito e a convivência.

Rui Leitão

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FRANCISCO E A IRA DOS CONSERVADORES Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/05/francisco-e-a-ira-dos-conservadores-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/05/francisco-e-a-ira-dos-conservadores-por-rui-leitao/#respond Thu, 05 Mar 2026 11:41:20 +0000 https://sscom1.com.br/?p=5821

Causou estranheza a muitos católicos verem setores autoproclamados defensores da tradição voltarem-se com tanta virulência contra o sucessor de Pedro. O pontificado do Papa Francisco revelou não apenas divergências teológicas, mas uma fratura mais profunda: a contaminação da fé pela polarização ideológica.

Francisco nunca alterou dogmas. Não suprimiu artigos do Credo nem rasgou páginas do Catecismo. O que fez foi recolocar no centro do discurso eclesial temas que sempre estiveram no coração do Evangelho: a misericórdia, os pobres, o cuidado com a criação, a acolhida aos marginalizados. Ainda assim, bastou enfatizar essas dimensões para ser acusado de “esquerdista”.

No Brasil, durante os anos de radicalização política, especialmente no governo passado, criou-se um ambiente em que qualquer defesa da justiça social era rotulada como militância partidária. Quando o papa convocou o Sínodo para a Amazônia e denunciou a devastação ambiental e o sofrimento dos povos originários, não faltaram vozes a insinuar que o Vaticano estaria a serviço de uma agenda globalista. O que antes era doutrina social passou a ser lido como conspiração.

Mas talvez o incômodo maior tenha sido o estilo. Francisco preferia o gesto simples, a palavra direta, o telefonema inesperado. Recusou símbolos de ostentação, aproximou-se das periferias, visitou prisões, lavou os pés de migrantes. Essa linguagem pastoral, mais próxima das bases sociais do que dos salões aristocráticos, desagradava aos que confundem tradição com rigidez e autoridade com dureza. Seu túmulo foi colocado numa nave lateral da Basílica de Santa Maria Maggiore, com a inscrição “Franciscus” – o seu nome papal em latim – e ele pediu que a sepultura fosse simples e sem ornamentos especiais.

Há, também, um elemento simbólico. Em tempos de identitarismos agressivos, o papa insistiu numa Igreja “em saída”, aberta ao diálogo, consciente de suas próprias fragilidades históricas. Para alguns, isso soava como fraqueza; para outros, era retorno às fontes do cristianismo primitivo, quando a comunidade se reconhecia menos como fortaleza sitiada e mais como casa comum.

Convém lembrar que a Doutrina Social da Igreja não nasceu com Francisco. Desde a encíclica Rerum Novarum, no século XIX, o magistério católico se debruça sobre as questões sociais, o mundo do trabalho e a dignidade humana. Ao atualizar esse patrimônio, o pontífice não inovava na essência; apenas retomava uma tradição muitas vezes esquecida por aqueles que a invocam seletivamente.

A resistência a Francisco revela menos sobre o pontífice e mais sobre o nosso tempo. Vivemos uma era em que até a fé é convocada a tomar partido nas trincheiras políticas. E quando o líder espiritual se recusa a vestir a camisa de um projeto ideológico específico, torna-se alvo dos que desejam instrumentalizá-lo.

No fundo, a ira de certos conservadores não se explica por ruptura doutrinária, mas pelo desconforto diante de uma Igreja que insiste em lembrar que o Evangelho começa pelos últimos. A opção de Francisco, profundamente evangélica, recoloca Cristo no centro e desloca as ideologias para a periferia. Talvez seja justamente aí que resida sua fidelidade — e, paradoxalmente, a razão de tanta incompreensão.

Rui Leitão

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OS DESMEMORIADOS DA POLÍTICA Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/04/os-desmemoriados-da-politica-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/04/os-desmemoriados-da-politica-por-rui-leitao/#respond Wed, 04 Mar 2026 13:56:48 +0000 https://sscom1.com.br/?p=5794

Há uma espécie que prolifera com facilidade no terreno movediço da vida pública: os desmemoriados da política. São aqueles que, por conveniência ou má-fé, fingem desconhecer os fatos de ontem para melhor manipular as emoções de hoje. Vestem a fantasia do “novo”, mas adotam velhas práticas no comportamento.

A desmemória, nesse caso, não é falha inocente. É método calculado. Reescrevem acontecimentos, apagam responsabilidades, distorcem contextos. Tratam a história como se fosse um quadro-negro onde se pode passar o apagador sempre que o passado se torna incômodo. Forjam narrativas sob medida, simplificam o que é complexo e reduzem processos históricos a slogans de fácil consumo.

O Brasil recente é pródigo em exemplos. O processo que resultou no impeachment da presidenta Dilma Rousseff foi chamado por uns de golpe, por outros de rito constitucional. Independentemente da posição assumida, o que não se pode admitir é a simplificação grosseira dos fatos, como se tudo tivesse ocorrido num vácuo político. Houve crise econômica, disputa aberta entre Poderes, pressões das ruas, articulações intensas nos bastidores. Ignorar esse contexto é optar pela conveniência em detrimento da verdade.

Do mesmo modo, a ascensão e posterior derrota eleitoral de Jair Bolsonaro produziram discursos apaixonados, muitas vezes divorciados da realidade concreta. Há os que hoje negam o que ontem defendiam com fervor, como se não houvesse registros, vídeos e declarações públicas. A internet transformou-se no maior arquivo da memória contemporânea — e, paradoxalmente, cresce o esforço para negar o que está documentado.

Os desmemoriados prosperam, também, na fragilidade educacional. Uma sociedade que não cultiva o estudo da história e não estimula o pensamento crítico torna-se presa fácil de versões superficiais. O desprezo pelo conhecimento costuma caminhar de mãos dadas com impulsos autoritários. Quem desconhece o passado dificilmente reconhece os sinais do retrocesso quando eles se apresentam com novas roupagens.
Recordar não é cultivar ressentimentos. É exercer cidadania. A memória política funciona como instrumento de vigilância democrática: permite comparar discursos e práticas, promessas e resultados, intenções declaradas e ações efetivas. Sem memória, o eleitor transforma-se em massa de manobra; com memória, torna-se sujeito consciente da própria escolha.

Em tempos de polarização intensa e avalanche informativa, esquecer parece mais confortável do que refletir. Mas a história não é um fardo a ser descartado; é farol que ilumina as encruzilhadas do presente. Nenhuma crise institucional nasce do nada. Nenhum projeto de poder surge por geração espontânea. Tudo tem causa, contexto e consequência.

A política brasileira precisa de menos desmemória e mais honestidade intelectual. Porque quem esquece o que foi feito ontem corre o risco de aplaudir amanhã aquilo que ontem condenava. E essa incoerência repetida, naturalizada e celebrada corrói, pouco a pouco, a própria ideia de democracia.

Rui Leitão

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O MARAVALHA E A REVOLUÇÃO DOS SOLTEIRÕES Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/03/o-maravalha-e-a-revolucao-dos-solteiroes-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/03/o-maravalha-e-a-revolucao-dos-solteiroes-por-rui-leitao/#respond Tue, 03 Mar 2026 11:45:58 +0000 https://sscom1.com.br/?p=5764

Nos anos 1960, as classes média e alta de João Pessoa careciam de opções de divertimento — noturnas e até diurnas — que favorecessem o tipo mais apreciado de socialização da época: a paquera, essa deliciosa arte de flertar. Quem mais sentia essa lacuna eram os solteiros adultos, financeiramente independentes, que não se encaixavam no modelo familiar predominante nos clubes tradicionais.

Havia o Clube Astréa e o Clube Cabo Branco. O primeiro limitava-se sobretudo às matinês dominicais, juvenis demais para quem já passara da adolescência. O segundo promovia jantares dançantes em sua sede de Miramar e matinais com concursos de iê-iê-iê — quase sempre voltados ao público adolescente. As festas noturnas satisfaziam principalmente os casados e os dançarinos inveterados.

E os solteirões?

Foi então que o jornalista e agitador cultural Wills Leal lançou a ideia de fundar um clube exclusivo para solteiros. Compartilhou-a com amigos como Gilson Melo, Napoleão Casado, Júlio Paulo Neto, Guilherme D’Ávila Lins, Tatá Monteiro, Roosevelt Curchatuz (o Chucha), Heitor Santiago Filho e José Camelo. Em maio de 1969, nascia o Maravalha Praia Clube, na Avenida Tamandaré, em Tambaú, ao lado do edifício Cannes e próximo ao Hotel Tambaú, ainda em construção.

O quadro inicial reunia 43 sócios fundadores. Criou-se estatuto, instituíram-se luvas e mensalidades. A regra mais temida era clara: quem casasse seria sumariamente expulso. Sem apelação. A logomarca, criada por Arthur Cantalice, explorava o azul do céu e o amarelo da areia de Tambaú. A decoração — tijolo aparente, palha, madeira e troncos de coqueiro — contou com a colaboração de artistas como Raul Córdula, Breno Matos, Celene Sitônio e Flávio Tavares.

Eu estava lá na inauguração. A cidade inteira parecia curiosa. A fita foi cortada pela Miss Paraíba 1969, Ilona Pinheiro, sob aplausos e olhares atentos. Ali começava algo maior que um simples clube: nascia um novo comportamento.

Versátil, o Maravalha era também boate — uma das primeiras da cidade com luz negra e estroboscópica, além de sirene de ambulância. A seleção musical, sob o comando do DJ Eduardo Stukert, ia da Bossa Nova ao rock internacional, do forró pé-de-serra ao cancioneiro brasileiro. Tocava-se até “Je t’aime”, proibida pela censura da ditadura — afronta discreta em tempos de vigilância.

Promovia festas de títulos criativos — “Dois Mil e Um Litros de Ron Montilla”, “Saudando o Homem na Lua”, “O Maravalha Tá Assim de Gavião” — e shows com atrações nacionais. Recebeu personalidades como Jorge Amado, João do Vale, Vanusa, Vera Fischer e até a princesa Christiane de Orleans e Bragança. Era frequentado por intelectuais, industriais, magistrados, oficiais do Exército e pelo então governador João Agripino.

O ritual mais curioso era o “bota-fora” do sócio que ia casar: oração solene em defesa do celibato, tarefas domésticas simbólicas do casal atado por aventais e, ao final, a entrega de convite permanente para retorno apenas na companhia da esposa.

O clube manteve intensa atividade cultural, com vernissages e lançamentos de livros. Anos depois, Wills Leal registraria essa história no livro Eram Felizes e Sabiam.

O Maravalha não foi apenas um clube: foi a afirmação de um novo comportamento numa sociedade ainda provinciana. Coincidiu com mudanças profundas nos costumes, inclusive na maneira de encarar namoro, casamento e liberdade.
Enquanto existiu, marcou indelevelmente a vida social pessoense — inaugurando um tempo em que a noite da cidade aprendeu, definitivamente, a brilhar.

Hoje, quando passo pela Avenida Tamandaré, parece que ainda escuto ecos de risadas e músicas atravessando o vento. O Maravalha pode ter fechado suas portas, mas permanece aberto na memória de quem viveu aquele tempo — um tempo em que éramos solteiros, audaciosos e acreditávamos que a noite podia reinventar a cidade. Claro que eu bem mais jovem do que os seus fundadores.

Rui Leitão

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O anti-Lula e as memórias de um país dividido Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/02/o-anti-lula-e-as-memorias-de-um-pais-dividido-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/02/o-anti-lula-e-as-memorias-de-um-pais-dividido-por-rui-leitao/#respond Mon, 02 Mar 2026 00:51:00 +0000 https://sscom1.com.br/?p=5736

Quem atravessou as últimas décadas da vida brasileira sabe que nossa política sempre foi terreno de paixões. Recordo-me do final dos anos 1970, quando o nome de Luiz Inácio Lula da Silva começou a ultrapassar os portões das fábricas do ABC paulista. Para muitos, ali surgia a esperança de que o Brasil profundo pudesse, enfim, alcançar o centro das decisões nacionais.

Quando Lula chegou à Presidência, em 2003, havia no ar uma sensação de ruptura histórica. Um retirante nordestino, forjado na pobreza e no trabalho manual, ocupava o Palácio do Planalto. O símbolo era poderoso: o filho das margens assumia o comando do país. Para milhões, aquilo significava reconhecimento e inclusão.

Mas toda transformação social desloca estruturas antigas. Os governos conduzidos pelo Partido dos Trabalhadores promoveram políticas de ampliação de renda, acesso ao ensino superior e valorização do salário mínimo. Mudaram vidas concretas e alteraram expectativas. Ao mesmo tempo, despertaram desconfortos silenciosos. A ascensão dos que sempre estiveram à margem provocou, em certos setores, a sensação de perda relativa de espaço e de prestígio.

Vieram também as denúncias e os escândalos. A centralidade assumida pela Operação Lava Jato redefiniu o debate público. A política passou a ser narrada como disputa moral absoluta. A figura de Lula deixou de ser apenas liderança partidária para se tornar símbolo de um embate entre visões antagônicas de país.

Nas conversas de rua, nos almoços de família e nas repartições públicas, percebi o endurecimento do diálogo. Divergências antes administráveis converteram-se em trincheiras. O “anti-Lula” deixou de significar mera discordância programática e passou a constituir identidade política. Não era apenas oposição a um governo, mas rejeição ao que ele simbolizava.

E o que simbolizava? Para uns, inclusão social e mobilidade; para outros, populismo e aparelhamento do Estado. Assim, o debate sobre Lula tornou-se espelho das nossas contradições históricas: desigualdade persistente, elitismo arraigado, expectativas frustradas e memórias seletivas.

Talvez o fenômeno revele menos sobre um homem e mais sobre o Brasil. Ainda não conseguimos aprender a conviver com a pluralidade sem transformá-la em ruptura. A intensidade das redes sociais ampliou ressentimentos e reduziu nuances. O adversário político passou a ser visto como ameaça existencial.

Como cronista que testemunhou diferentes ciclos da República, creio que o desafio de nossa geração seja substituir o “anti” pelo diálogo crítico. A democracia amadurece quando reconhecemos que líderes são transitórios, mas as instituições e a convivência civil precisam permanecer.

O “anti-Lula”, portanto, é também sintoma de um país em disputa consigo mesmo — entre memória e ressentimento, entre mudança e temor, entre esperança e desconfiança. E talvez só superemos essa divisão quando aprendermos que a política não deve ser território de exclusão, mas espaço de construção coletiva.

Rui Leitão

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LEMBRANDO DOS GRUPOS ESCOLARES Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/03/01/lembrando-dos-grupos-escolares-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/03/01/lembrando-dos-grupos-escolares-por-rui-leitao/#respond Sun, 01 Mar 2026 01:54:26 +0000 https://sscom1.com.br/?p=5712

No início da República, o Brasil instituiu, em vários Estados, o curso primário organizado em quatro séries, destinado às crianças de seis a dez anos de idade. Esse modelo se concretizava nos chamados grupos escolares. Na Paraíba, os primeiros foram implantados em 1916. Décadas depois, em 1958, quando eu e minhas irmãs, Rita e Fátima, fomos matriculados no Grupo Escolar Dr. Otacílio de Albuquerque, em Miramar, João Pessoa já contava com várias dessas instituições.

Quem pertence à minha geração sabe que o grupo escolar não era apenas um prédio público destinado ao ensino primário. Era quase uma extensão da casa da gente, um espaço onde aprendíamos não só a ler e escrever, mas a conviver, respeitar, esperar a vez, ouvir o outro. Era ali que se moldava o caráter, na construção do que viríamos a ser.

Morávamos na Avenida Tito Silva, num bairro então novo da Capital. Lembro-me da expectativa do primeiro dia de aula, da farda engomada, do cheiro do lápis recém-apontado. Não usávamos caneta esferográfica. Escrevíamos a lápis grafite, e o apontador era companheiro inseparável. Havia os cadernos de caligrafia, com aquelas linhas rígidas que pretendiam disciplinar a mão e o pensamento. Minha letra, hoje quase indecifrável, talvez seja a única prova de que nem todo método alcança êxito pleno.

As aulas de português tinham ditados frequentes e leituras em voz alta. Era um exercício de atenção e coragem. Errar fazia parte do aprendizado, mas havia exigência. Na matemática, decorávamos a tabuada até saber de cor as quatro operações. Não se discutia se gostávamos ou não; era preciso aprender. E aprendíamos.

Havia também ensinamentos religiosos na orientação católica, apesar de o Estado já ser laico. Cantávamos o Hino Nacional e o Hino da Paraíba com solenidade. Havia um sentimento de pertencimento, de comunidade, de respeito à escola como espaço sagrado do saber. Havia rigidez, limites, e, certamente, falhas. Mas havia autoridade pedagógica e uma crença coletiva de que a educação pública era instrumento de ascensão e cidadania.

Recordo tudo isso com uma ponta de saudade. É impossível não reconhecer que o ensino público ocupava lugar central na vida das famílias. Havia poucas escolas particulares porque a escola pública cumpria, com dignidade, sua missão.

Hoje, o que se observa é um cenário inquietante. A educação pública tornou-se campo de disputas ideológicas superficiais. A autoridade pedagógica foi fragilizada. Não se trata de defender um retorno acrítico ao passado. O mundo mudou, as metodologias evoluíram, a tecnologia transformou a sala de aula. Mas é importante que seja preservado o compromisso coletivo com a educação pública como fundamento da cidadania.

Estou recordando um tempo em que o Brasil, apesar de todas as contradições, parecia acreditar que a escola pública era instrumento de construção nacional. Hoje, mais do que nostalgia, essa memória me provoca inquietação — e a certeza de que sem educação pública forte não há democracia sólida nem futuro digno para nossas crianças. A escola que ainda visito em pensamento não é apenas lembrança de menino, é referência de um ideal que precisa ser mantido, se quisermos que as gerações que se sucedem tenham, não apenas salas de aula, mas futuro.

Rui Leitão

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A CPMI que esqueceu sua missão Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/02/28/a-cpmi-que-esqueceu-sua-missao-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/02/28/a-cpmi-que-esqueceu-sua-missao-por-rui-leitao/#respond Sat, 28 Feb 2026 14:32:28 +0000 https://sscom1.com.br/?p=5692

A CPMI que apura as fraudes no INSS nasceu com uma missão clara: investigar, com rigor técnico e espírito republicano, o esquema de descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas, identificando responsabilidades, cadeias de intermediação, participação de bancos e entidades associativas, além de eventuais falhas administrativas. No entanto, o que deveria ser um espaço de apuração criteriosa vem, aos olhos da opinião pública, assumindo contornos de palanque eleitoral.

O tema é grave demais para ser capturado por disputas narrativas. Milhares de aposentados — justamente os mais vulneráveis — foram atingidos por descontos que, em muitos casos, sequer autorizaram. Trata-se de um problema estrutural que exige investigação técnica, coleta de provas, cruzamento de dados, oitivas responsáveis e conclusões fundamentadas. Quando o foco se desloca da apuração para o espetáculo político, perde-se a oportunidade de produzir respostas concretas à sociedade.

É perceptível que parte da oposição utiliza a CPMI como instrumento de desgaste ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antecipando a polarização que tradicionalmente marca o ambiente pré-eleitoral. O debate passa a girar em torno de discursos inflamados, recortes estratégicos e construção de narrativas partidárias, em vez de se concentrar na identificação objetiva dos responsáveis, independentemente de filiação política.

Entretanto, é preciso reconhecer que CPIs e CPMIs, pela própria natureza parlamentar, sempre carregam tensão política. O desafio está em equilibrar o embate legítimo com a responsabilidade institucional. Investigar não é condenar previamente, nem absolver por conveniência. Tampouco é transformar depoimentos em peças de marketing eleitoral.

Se a comissão deseja preservar sua credibilidade, precisa resistir à tentação do espetáculo e concentrar-se naquilo que justificou sua criação: esclarecer os fatos, apontar responsabilidades e propor medidas que impeçam a repetição das fraudes. O país não precisa de mais um capítulo de guerra retórica; precisa de respostas concretas e soluções estruturais.

A sociedade brasileira, especialmente os aposentados lesados, espera menos performance e mais compromisso com a verdade.

Rui Leitão

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QUEM TEM MEDO DE DOUTOR JHONY? https://sscom1.com.br/2026/02/27/quem-tem-medo-de-doutor-jhony/ https://sscom1.com.br/2026/02/27/quem-tem-medo-de-doutor-jhony/#respond Fri, 27 Feb 2026 23:37:49 +0000 https://sscom1.com.br/?p=5689

Nos últimos dias, setores da política paraibana tentam construir uma narrativa conveniente: associar irregularidades administrativas apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado a uma gestão que, na prática, mal havia começado.

Os próprios registros públicos indicam que Doutor Jhony assumiu a responsabilidade administrativa apenas nos últimos dias do exercício questionado. Não há lógica, nem técnica, nem honestidade intelectual em atribuir a ele decisões, contratos ou atos administrativos que antecedem sua chegada.

Mas a tentativa não é sobre técnica. É sobre política.

Os fatos e a cronologia

Quando assumiu, já no apagar das luzes do ano, o cenário encontrado exigia reorganização administrativa, revisão de fluxos e fortalecimento de controles internos. O que se viu, a partir daí, foram ações concretas:

Reestruturação de protocolos assistenciais para reduzir filas e dar mais agilidade ao atendimento;

Fortalecimento da interiorização da saúde, ampliando o acesso a exames e procedimentos fora da capital;

Revisão de contratos e processos administrativos para maior transparência;

Diálogo institucional com órgãos de controle;

Ênfase na humanização do atendimento hospitalar.

São medidas técnicas, silenciosas, mas que impactam diretamente quem mais precisa: o paciente.

O que realmente incomoda

Doutor Jhony não nasceu nos corredores da política tradicional. Ele vem das ruas, dos plantões, da realidade de quem sente na pele o que significa depender do SUS. Sua pré-candidatura à Câmara Federal representa algo que há muito tempo incomoda determinadas estruturas de poder: a possibilidade real de renovação.

A Câmara Federal, historicamente, tem sido ocupada por sobrenomes repetidos, grupos familiares consolidados e acordos de bastidores. Quando surge alguém com trajetória técnica, legitimidade popular e discurso independente, o desconforto é imediato.

Não é sobre relatórios.
Não é sobre datas.
É sobre espaço.

O medo não é da irregularidade — é da mudança

Setores acostumados a controlar narrativas sabem que uma candidatura com origem popular, com histórico de atuação concreta na saúde pública, rompe ciclos. E romper ciclos significa mexer em privilégios.

O medo é que alguém que conhece o sofrimento do povo não aceite os velhos arranjos.
O medo é que alguém que já salvou vidas queira salvar a política do atraso.
O medo é que a Paraíba escolha um representante que não deve favores a estruturas tradicionais.

Transparência não se teme. Se pratica.

Se há apontamentos técnicos, que sejam analisados com serenidade, responsabilidade e cronologia correta. Atribuir a quem assumiu nos últimos dias responsabilidades acumuladas ao longo de todo um exercício administrativo não é fiscalização — é estratégia política.

A Paraíba amadureceu.
O eleitor sabe diferenciar fato de narrativa.
E sabe reconhecer quem tem história construída no serviço, não no discurso.

No fim das contas, a pergunta permanece:

Quem realmente teme que um homem do povo chegue à Câmara Federal?

Porque quando o medo aparece antes da campanha começar, talvez seja o sinal mais claro de que a mudança é possível.

Blog do Alexandre Kennedy – Pauta das 20 – Café com Política

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O Tele-Vizinho Por Rui Leitão https://sscom1.com.br/2026/02/27/o-tele-vizinho-por-rui-leitao/ https://sscom1.com.br/2026/02/27/o-tele-vizinho-por-rui-leitao/#respond Fri, 27 Feb 2026 13:40:12 +0000 https://sscom1.com.br/?p=5666 No início da década de 1960, a televisão aportou em nossas vidas como quem chega trazendo um pedaço do futuro debaixo do braço. Era um objeto raro, caro, quase sagrado. Poucas famílias podiam exibir na sala aquela caixa mágica que prometia mostrar o mundo sem que saíssemos de casa. Para nós, meninos de rua tranquila e imaginação acesa, aquilo era simplesmente um milagre tecnológico.

As casas que possuíam televisão tornaram-se pontos de peregrinação. Surgiu então o neologismo espirituoso: “tele-vizinho”. Éramos nós — a vizinhança inteira — que nos espremíamos nas salas, sentávamos pelo chão, apoiávamos os cotovelos nas janelas, tudo para não perder um instante daquela novidade. Assistir televisão era um acontecimento coletivo.

Na nossa rua, no bairro de Jaguaribe, a preciosidade chegou primeiro à casa de Wilson Rufino, rádio-técnico habilidoso, homem respeitado por entender dos mistérios das válvulas e antenas. Era para lá que corríamos, movidos por uma curiosidade que beirava o encantamento. A imagem era em preto e branco, naturalmente. Mas alguém teve a engenhosa ideia de colocar uma película de celofane colorido sobre a tela — azul em cima, vermelho no meio, verde embaixo — para simular cores. E nós acreditávamos. Ou melhor: queríamos acreditar.
Outra casa acolhedora era a dos meus tios João Cunha e Detinha, na Avenida Trincheiras. Ali também nos aboletávamos, atentos e silenciosos, como se o menor ruído pudesse perturbar o frágil sinal captado pelas antenas.

A programação que chegava a João Pessoa vinha principalmente da TV Jornal do Comércio e da TV Rádio Clube. Do eixo Rio–São Paulo vinham os programas de auditório, com nomes que ganharam aura quase mítica: Blota Júnior, Bibi Ferreira, Airton Rodrigues. Pernambuco também produzia atrações próprias. Aos sábados, “A Noite de Black-Tie”, apresentado por Luís Geraldo, trazia o célebre quadro “Cadeira do Engraxate”, no qual Rui Cabral, caracterizado, entrevistava políticos com humor respeitoso — uma forma elegante de crítica em tempos que já ensaiavam sombras.
Aos domingos, Fernando Castelão comandava “Você Faz o Show”, reunindo música, variedades e sonhos anônimos.

Mas, para a gurizada, o que nos arrebatava mesmo eram os seriados. Vibrei com Batman, acompanhei as aventuras de Bat Masterson, torci por The Adventures of Rin Tin Tin e me emocionei com Lassie. Também prendia a respiração diante de O Fugitivo. E foi nesse período que surgiu a primeira série brasileira de grande repercussão, O Vigilante Rodoviário, prova de que também podíamos produzir nossos próprios heróis.

A Copa do Mundo de 1962 nós assistíamos com atraso de dois ou três dias. Já sabíamos os resultados pelo rádio, mas mesmo assim nos reuníamos para ver as imagens gravadas em videotape — outra inovação espantosa para aquele tempo em que ainda não existiam transmissões via satélite.

Hoje, quando cada pessoa carrega no bolso uma tela infinitamente mais potente do que aquelas primeiras televisões, custa acreditar que tudo começou assim: coletivo, improvisado, solidário. A televisão nasceu, para nós, como experiência comunitária. Não era apenas um aparelho; era ponto de encontro, motivo de convivência, exercício de partilha.

Essas lembranças não são apenas nostalgia. São fragmentos da história da televisão brasileira e da nossa própria formação. O “tele-vizinho” talvez tenha desaparecido, mas permanece como símbolo de um tempo em que o encanto era dividido — e o futuro cabia inteiro dentro de uma sala cheia de gente.

Rui Leitão

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A prisão da primeira-dama de João Pessoa e o alerta que a Paraíba não pode ignorar em 2026 https://sscom1.com.br/2026/02/26/a-prisao-da-primeira-dama-de-joao-pessoa-e-o-alerta-que-a-paraiba-nao-pode-ignorar-em-2026/ https://sscom1.com.br/2026/02/26/a-prisao-da-primeira-dama-de-joao-pessoa-e-o-alerta-que-a-paraiba-nao-pode-ignorar-em-2026/#respond Thu, 26 Feb 2026 19:46:33 +0000 https://sscom1.com.br/?p=5661 A prisão da primeira-dama de João Pessoa, Lauremília Lucena, esposa do prefeito Cícero Lucena, durante a Operação Território Livre em setembro de 2024, marcou um dos episódios mais graves já investigados pela Justiça Eleitoral na história recente da capital paraibana. Não se tratou de um fato isolado nem de uma ocorrência comum no ambiente político. Foi um acontecimento que expôs, diante de toda a sociedade, a suspeita de um esquema estruturado de influência eleitoral envolvendo agentes públicos, intermediários políticos e pessoas ligadas a ambientes criminosos com atuação em comunidades da cidade.

A operação conduzida pela Polícia Federal resultou na prisão preventiva da primeira-dama sob suspeita de participação em um esquema que, segundo as investigações, buscava interferir diretamente no processo eleitoral municipal de 2024. Entre os crimes investigados estavam corrupção eleitoral prevista no artigo 299 do Código Eleitoral, coação eleitoral, constrangimento ilegal, peculato, associação criminosa e organização criminosa nos termos da Lei nº 12.850 de 2013. A primeira-dama foi conduzida ao Presídio Feminino Júlia Maranhão, onde permaneceu presa até que a Justiça autorizasse a substituição da prisão por medidas cautelares. Ainda assim, o impacto institucional e político daquele episódio já havia deixado marcas profundas.
O que as investigações revelaram foi a suspeita de uma engrenagem organizada que misturava influência política, estrutura administrativa e atuação territorial direcionada ao controle eleitoral em determinadas comunidades. Segundo a denúncia apresentada, a atuação investigada envolvia servidores públicos, lideranças comunitárias, intermediários políticos e operadores eleitorais que teriam trabalhado de forma coordenada durante o período de campanha. O objetivo investigado era consolidar apoio político por meio de pressão eleitoral, articulações territoriais e utilização da máquina administrativa como instrumento de influência.

As apurações apontaram suspeitas de monitoramento eleitoral de comunidades, pressão política sobre moradores, aliciamento de eleitores e uso de cargos públicos como moeda de influência política. A denúncia também descreve a atuação de pessoas que funcionariam como intermediárias entre interesses eleitorais e estruturas locais de poder informal. O cenário descrito pelos investigadores indica a suspeita de um ambiente onde o poder institucional e o poder paralelo teriam atuado de maneira simultânea, criando uma rede política com capacidade de influenciar diretamente o comportamento eleitoral em áreas específicas da cidade.

A Justiça Eleitoral aceitou a denúncia criminal contra a primeira-dama e outros investigados, que passaram à condição de réus no processo. Entre os citados nas investigações aparecem servidores municipais, assessores políticos e intermediários comunitários que teriam exercido funções dentro dessa estrutura investigada. Entre os nomes mencionados publicamente está a servidora Tereza Cristina, ligada diretamente ao núcleo de atuação da primeira-dama e também presa no curso da operação. Segundo os investigadores, a estrutura analisada apresentava características típicas de organização coordenada, com divisão de tarefas, articulação política, influência territorial e mobilização eleitoral dirigida.

Casos dessa natureza não atingem apenas o ambiente político. Quando a política se aproxima de estruturas criminosas ou ambientes dominados pela intimidação, as consequências ultrapassam os gabinetes e chegam diretamente às famílias. Comunidades passam a viver sob pressão, moradores deixam de se sentir livres para escolher seus representantes e jovens acabam expostos a ambientes onde a violência e a política passam a caminhar lado a lado. O voto deixa de ser um direito exercido com liberdade e passa a ser condicionado por relações de dependência e medo. Onde existe pressão eleitoral, a democracia perde sua essência mais básica.
O caso investigado em João Pessoa não pode ser visto apenas como um episódio policial ou como mais uma disputa política. Trata-se de um alerta concreto para toda a Paraíba. Pela primeira vez na história recente da capital, uma investigação federal apontou a suspeita de uso de influência administrativa e articulação territorial para interferir em um processo eleitoral municipal. Mesmo que os fatos ainda estejam sendo julgados e que todos os investigados tenham direito à ampla defesa e à presunção de inocência, os elementos já revelados demonstram a gravidade das suspeitas apuradas.

O que está em jogo não é apenas a responsabilidade individual de investigados, mas o risco institucional de normalização de práticas que colocam em perigo a liberdade do voto. Se estruturas sob investigação por corrupção eleitoral e influência territorial avançarem politicamente, o risco deixa de ser local e passa a atingir todo o Estado. Uma eleição municipal pode ser o começo de um projeto de poder maior, com consequências que podem alcançar toda a Paraíba.
Por isso, os paraibanos precisam encarar 2026 com consciência e vigilância. O voto é o instrumento mais poderoso da democracia e não pode ser pressionado, manipulado nem condicionado por interesses ocultos.

A história recente deixou um aviso claro de que a liberdade eleitoral precisa ser protegida permanentemente.
A Paraíba não pode permitir que práticas sob investigação se repitam em uma eleição estadual. O futuro do Estado depende da capacidade da sociedade de rejeitar qualquer modelo político baseado em suspeitas de manipulação eleitoral, uso indevido da máquina pública ou influência territorial sobre comunidades vulneráveis.

Mais do que uma disputa política, o que estará em jogo em 2026 será o direito das famílias paraibanas de viver em um Estado onde o voto seja livre, onde a política seja transparente e onde o poder público sirva à população — e não a projetos sustentados por investigações e suspeitas.
A Paraíba terá novamente a oportunidade de escolher seus caminhos.

E dessa vez será preciso escolher com memória.

Alexandre Kennedy – Pauta das 20

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