OPINIÃO: Ainda somos uma sociedade machista Por Rui Leitão

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A violência contra a mulher é, sem qualquer dúvida, consequência do machismo que ainda persiste em nossa sociedade. Continua presente na cabeça de muitos homens a ideia de que a mulher é o sexo frágil e de que podem fazer dela sua propriedade.

Consideram-se em posição de superioridade e não aceitam facilmente a independência que elas vêm conquistando ao longo do tempo. As marcas do ciúme e do preconceito acabam se transformando em atos de violência, sejam verbais ou físicos.

A Lei Maria da Penha, promulgada em 2006, procurou estabelecer um freio à violência doméstica. Em 2015, o Código Penal passou a tipificar o crime de feminicídio. Foram avanços importantes na tentativa de enfrentar uma cultura que, durante muito tempo, aceitou a submissão da mulher ao homem, sustentada por uma tradição patriarcal profundamente enraizada.

No livro Revolucionárias, lançado pela Editora A UNIÃO, procurei destacar quarenta mulheres brasileiras , entre elas dez paraibanas, apresentadas como referências históricas na luta pela emancipação feminina. Ao longo de décadas, elas enfrentaram uma cultura machista que reservava aos homens a ocupação predominante dos espaços de poder e decisão na sociedade.

Apesar dessas conquistas, as relações de gênero em nosso país continuam profundamente desiguais. Em muitos ambientes ainda se associa masculinidade à autoridade e à imposição. Persiste, em diversas situações, a tentativa de manter uma relação de domínio do homem sobre a mulher. A verdade é que muitas mulheres continuam vivendo sob ameaça e insegurança.

É preciso promover uma mudança social e cultural baseada no respeito à igualdade de gênero. A supervalorização do masculino em detrimento do feminino precisa desaparecer. A misoginia, a hipermasculinidade e o chauvinismo não podem mais ser tolerados como manifestações normais em uma sociedade que pretende ser justa e civilizada.

Lamentavelmente, o machismo ainda se faz presente na vida cotidiana. Por mais que alguns insistam em negar essa realidade, ele continua entranhado em nossa cultura. Padrões de comportamento aprendidos ao longo da vida levam muitos homens a reproduzir atitudes machistas, muitas vezes até de forma inconsciente.

Enfrentar o machismo é uma tarefa que precisa ser assumida por todos. Trata-se de uma luta coletiva, que envolve homens e mulheres. A propósito, é bastante pertinente a observação da escritora austríaca Germaine Greer:
“Não podemos sobreviver em um ambiente de sadismo masculino e masoquismo feminino, um universo de agressores e vítimas.”

Rui Leitão

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