O MODISMO QUE EMPOBRECE O PORTUGUÊS

admin
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É realmente impressionante, mas também preocupante, observar no cotidiano como o nosso vocabulário vem sendo substituído por palavras estrangeiras, sobretudo do inglês. A internet, as redes sociais, o mundo corporativo, o marketing, a comunicação midiática e até o entretenimento adotam expressões que rapidamente passam a fazer parte da nossa fala diária.

Já não se combina mais uma reunião: agenda-se um meeting. A opinião ou resposta agora é considerada um feedback. O prazo virou deadline. Trabalhar em casa ganhou o nome de home office. São apenas alguns exemplos de um fenômeno que cresce silenciosamente.

A língua portuguesa, tão rica em sonoridade, história e expressividade, vem sendo trocada por palavras que nada acrescentam, a não ser o abandono da nossa tradição cultural, contribuindo para o enfraquecimento da identidade linguística.

O português que herdamos, com raízes latinas, foi enriquecido por influências indígenas, africanas e europeias, constituindo-se em um patrimônio imaterial incalculável. Não se trata de defender um purismo exagerado ou de rejeitar qualquer influência estrangeira, algo que sempre ocorreu na história das línguas. O que se questiona é o uso frequente e desnecessário de termos que não fazem parte do nosso vocabulário, desprezando palavras claras, expressivas e perfeitamente compreensíveis da nossa própria língua.

Preservar o português é, acima de tudo, preservar a nossa identidade cultural. Quando deixamos de valorizar as palavras do nosso idioma, corremos o risco de, pouco a pouco, enfraquecer aquilo que também nos define como povo. Muitas vezes, parece que se imagina que a substituição do português por expressões estrangeiras transmite uma falsa aparência de modernidade. Ariano Suassuna já nos advertia disso.

O que causa estranheza é a facilidade com que estamos abrindo mão do que é nosso.
A língua é muito mais do que um simples instrumento de comunicação. Ela carrega a memória de um povo, suas experiências, sua história e suas formas de viver e de pensar. Estamos, então, dando demonstração de opção por um colonialismo cultural

Esse modismo exagerado e desnecessário tem contribuído para a alteração do nosso vocabulário cotidiano. No entanto, o português não precisa de disfarces para ser moderno, nem de empréstimos constantes para continuar sendo belo e atual. Ele já é rico por natureza. Basta que continuemos a utilizá-lo com o respeito e o carinho que um patrimônio cultural merece.

Rui Leitão

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