Os ministros do Supremo na mira do golpismo Por Rui Leitão

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O ambiente político brasileiro dos últimos anos revelou uma estratégia preocupante: não apenas contestar instituições, mas atacar diretamente as pessoas que as representam. Entre os alvos preferenciais dessa ofensiva estão os ministros do Supremo Tribunal Federal, sobretudo aqueles que tiveram atuação decisiva na defesa da ordem constitucional diante das tentativas de ruptura institucional.

Depois das eleições de 2022, intensificou-se uma narrativa destinada a desacreditar o sistema eleitoral e as instituições responsáveis por garantir sua legitimidade. O Tribunal Superior Eleitoral e o próprio Supremo passaram a ser apresentados, de forma deliberadamente distorcida, como adversários políticos e não como órgãos de Estado. A crítica legítima necessária em uma democracia, foi substituída por uma campanha sistemática de desqualificação.

Esse processo alcançou seu ponto mais dramático nos episódios dos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando grupos radicalizados invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Não se tratou apenas de vandalismo. Foi uma tentativa de intimidação institucional que tinha como objetivo pressionar por uma ruptura democrática.

Fracassada a tentativa de ruptura pela força, intensificou-se outra forma de ofensiva: o ataque pessoal aos ministros do Supremo. Alguns deles passaram a ser alvo permanente de campanhas de desmoralização, muitas vezes impulsionadas por setores políticos e amplificadas por determinados espaços da mídia e das redes sociais. Busca-se criar a imagem de que estariam movidos por interesses partidários, quando na verdade atuam no exercício de uma função constitucional.

Essa estratégia não é nova na história das democracias. Quando grupos autoritários não conseguem derrubar as instituições, procuram enfraquecê-las por meio da deslegitimação pública de seus integrantes. O objetivo é corroer a confiança da sociedade e criar um ambiente em que decisões judiciais passem a ser vistas como meras disputas políticas.

No entanto, é importante recordar que o papel do Supremo Tribunal Federal é justamente o de ser o guardião da Constituição. Em momentos de crise institucional, cabe ao tribunal assegurar que os limites legais sejam respeitados e que nenhuma força política se coloque acima das regras do Estado de Direito.

Os ministros podem ser criticados, e suas decisões debatidas. Isso faz parte do funcionamento normal de uma sociedade democrática. O que não se pode admitir é a tentativa de transformar divergência em perseguição, ou crítica em campanha permanente de desmoralização.

Ao atacar pessoalmente ministros que atuaram para impedir a ruptura institucional, na verdade ataca-se algo maior: o próprio sistema de garantias que protege a democracia. Defender as instituições — mesmo quando delas discordamos, é preservar o espaço de liberdade que a Constituição assegura a todos.

A história ensina que as democracias se enfraquecem quando o respeito às instituições é substituído pelo ataque sistemático aos seus representantes. Por isso, mais do que nunca, é necessário distinguir entre crítica legítima e a tentativa deliberada de desacreditar aqueles que têm a responsabilidade de proteger a ordem constitucional.

Rui Leitão

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