Nos últimos dias, setores da política paraibana tentam construir uma narrativa conveniente: associar irregularidades administrativas apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado a uma gestão que, na prática, mal havia começado.
Os próprios registros públicos indicam que Doutor Jhony assumiu a responsabilidade administrativa apenas nos últimos dias do exercício questionado. Não há lógica, nem técnica, nem honestidade intelectual em atribuir a ele decisões, contratos ou atos administrativos que antecedem sua chegada.
Mas a tentativa não é sobre técnica. É sobre política.
Os fatos e a cronologia
Quando assumiu, já no apagar das luzes do ano, o cenário encontrado exigia reorganização administrativa, revisão de fluxos e fortalecimento de controles internos. O que se viu, a partir daí, foram ações concretas:
Reestruturação de protocolos assistenciais para reduzir filas e dar mais agilidade ao atendimento;
Fortalecimento da interiorização da saúde, ampliando o acesso a exames e procedimentos fora da capital;
Revisão de contratos e processos administrativos para maior transparência;
Diálogo institucional com órgãos de controle;
Ênfase na humanização do atendimento hospitalar.
São medidas técnicas, silenciosas, mas que impactam diretamente quem mais precisa: o paciente.
O que realmente incomoda
Doutor Jhony não nasceu nos corredores da política tradicional. Ele vem das ruas, dos plantões, da realidade de quem sente na pele o que significa depender do SUS. Sua pré-candidatura à Câmara Federal representa algo que há muito tempo incomoda determinadas estruturas de poder: a possibilidade real de renovação.
A Câmara Federal, historicamente, tem sido ocupada por sobrenomes repetidos, grupos familiares consolidados e acordos de bastidores. Quando surge alguém com trajetória técnica, legitimidade popular e discurso independente, o desconforto é imediato.
Não é sobre relatórios.
Não é sobre datas.
É sobre espaço.
O medo não é da irregularidade — é da mudança
Setores acostumados a controlar narrativas sabem que uma candidatura com origem popular, com histórico de atuação concreta na saúde pública, rompe ciclos. E romper ciclos significa mexer em privilégios.
O medo é que alguém que conhece o sofrimento do povo não aceite os velhos arranjos.
O medo é que alguém que já salvou vidas queira salvar a política do atraso.
O medo é que a Paraíba escolha um representante que não deve favores a estruturas tradicionais.
Transparência não se teme. Se pratica.
Se há apontamentos técnicos, que sejam analisados com serenidade, responsabilidade e cronologia correta. Atribuir a quem assumiu nos últimos dias responsabilidades acumuladas ao longo de todo um exercício administrativo não é fiscalização — é estratégia política.
A Paraíba amadureceu.
O eleitor sabe diferenciar fato de narrativa.
E sabe reconhecer quem tem história construída no serviço, não no discurso.
No fim das contas, a pergunta permanece:
Quem realmente teme que um homem do povo chegue à Câmara Federal?
Porque quando o medo aparece antes da campanha começar, talvez seja o sinal mais claro de que a mudança é possível.
Blog do Alexandre Kennedy – Pauta das 20 – Café com Política

