Os sonhos na travessia da vida Por Rui Leitão

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Aprendi, desde cedo, que a esperança é uma forma de resistência íntima. Em muitos momentos da vida, quando as circunstâncias pareciam hostis ou limitadoras, foi o sonho que me impediu de sucumbir ao medo e às angústias. Os desiludidos se entregam à passividade e perdem o interesse pelo mundo. Eu sempre temi essa forma silenciosa de desistência. Por isso, cultivar sonhos sempre foi, para mim, uma necessidade vital.

Fazer planos, imaginar futuros possíveis, é como experimentar o prazer de voar com a certeza de que não se está sozinho no ar. Ter esperança é sonhar acordado, acreditando nas mudanças que julgamos necessárias, buscando recomeçar, reinventar caminhos, contrariar destinos aparentemente traçados.

Entre tentar ou desistir, aprendi a rejeitar a segunda opção. A vontade alimenta os sonhos, e desistir é uma palavra que precisa ser banida do vocabulário de quem ainda acredita na vida.

Somos metamorfose constante, e a experiência me ensinou que quem se contenta apenas em sobreviver abdica da possibilidade de sonhar. Lembro-me de Voltaire, ao afirmar que os sonhos e a esperança nos foram dados como compensação às dificuldades da existência. Essa frase sempre me acompanhou como uma espécie de guia interior.

Os vencedores, penso hoje, são aqueles que persistem em lutar por seus sonhos. Eles não envelhecem, como canta Milton Nascimento em Clube da Esquina nº 2. Transformam-se com o tempo, ajustam-se às circunstâncias, mas continuam sendo sonhos — e são eles que dão sentido à vida. Com os anos, compreendi que não basta sonhar de maneira abstrata; é preciso transformar o sonho em propósito, em meta concreta, em projeto possível. A ousadia nos sonhos se sustenta na autoconfiança e no autoconhecimento, conquistas que só o tempo e a reflexão oferecem.

Não quero deixar meus sonhos guardados em gavetas, como lembranças de algo que não tive coragem de viver. Quero que sejam mais do que imagens fugazes: que sejam propósitos responsáveis, capazes de orientar minha caminhada e justificar minha passagem pelo tempo.

Rui Leitão

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