Campina Grande atravessa um daqueles momentos históricos em que o contraste fala mais alto do que qualquer discurso. De um lado, um gestor que construiu sua trajetória no silêncio dos hospitais, no peso das decisões técnicas e na responsabilidade de administrar sistemas complexos que lidam diariamente com a vida humana. Do outro, um prefeito que governa como quem apresenta um espetáculo contínuo, sempre com um culpado novo em cena, mas nunca com o problema resolvido. A cidade virou palco. E o roteiro, infelizmente, se repete.
Jhony Bezerra não nasceu do marketing. Surgiu da prática. Médico de formação e gestor por vocação, construiu reputação no setor onde improviso custa caro e erro cobra preço alto: a saúde pública. Como Secretário de Estado da Saúde da Paraíba, participou diretamente da reorganização da rede estadual, ampliou o acesso a cirurgias eletivas por meio do Opera Paraíba, interiorizou serviços que antes estavam concentrados na capital e ajudou a devolver dignidade a milhares de pessoas que esperavam anos por atendimento. Não se tratou de promessa. Foram números, leitos, procedimentos, exames e estrutura funcionando.
Quando assumiu a PB Saúde, a lógica foi a mesma. Gestão profissional, foco em resultados e compreensão de que hospital não é palanque. Sob sua condução, unidades foram modernizadas, serviços ampliados, a capacidade de atendimento cresceu e a rede passou a operar como sistema, não como um conjunto de prédios isolados tentando sobreviver ao caos administrativo. Enquanto muitos ainda discutem modelos, Jhony executa. Enquanto uns se escondem atrás de notas oficiais, ele responde com entrega.
Esse histórico explica por que, mesmo fora da Prefeitura, Jhony Bezerra permanece presente no debate público de Campina Grande. Não é pela retórica. É pela comparação inevitável. Porque quando se olha para a cidade sob a gestão de Bruno Cunha Lima, o cenário muda radicalmente. Campina Grande perdeu posições em rankings nacionais de competitividade, viu indicadores sociais escorregarem e passou a conviver com crises recorrentes na saúde municipal, denúncias, instabilidade administrativa e um governo que parece sempre surpreso com os próprios problemas.
A marca da atual gestão não é a solução, mas a explicação. Falta água? A culpa é de outro órgão. Falta medicamento? É herança do passado. Falta resultado? A justificativa vem em coletiva. Governar, para Bruno Cunha Lima, tornou-se um exercício permanente de transferência de responsabilidade, como se a cadeira de prefeito fosse apenas um púlpito elevado para narrar dificuldades, nunca para enfrentá-las.
Campina Grande virou a cidade onde o prefeito fala muito sobre gestão, mas administra pouco. Onde o discurso é rápido, mas a resposta é lenta. Onde o marketing tenta maquiar o que os números insistem em revelar. Enquanto isso, a população assiste à degradação silenciosa dos serviços públicos, à perda de protagonismo regional e ao enfraquecimento da confiança na administração municipal.
O contraste com Jhony Bezerra é quase didático. De um lado, um gestor que trata política pública como sistema, com planejamento, execução e monitoramento. Do outro, um prefeito que governa no improviso, reagindo aos fatos como quem corre atrás do próprio rastro. Se governar fosse uma cirurgia, Jhony entraria com bisturi e protocolo. Bruno insiste no malabarismo, torcendo para que nada caia.
Não se trata de estilos diferentes. Trata-se de competência versus encenação. De gestão versus retórica. De quem entende que o poder público existe para funcionar e não para justificar por que falhou. Campina Grande não precisa de narrador de crise. Precisa de gestor. Precisa de quem saiba decidir, executar e responder com resultado.
A cidade começa, lentamente, a perceber essa diferença. E quando a comparação deixa de ser discurso e passa a ser evidência, o deboche deixa de ser recurso retórico e se transforma em consequência natural de uma administração que prometeu muito, entregou pouco e ainda espera aplausos. Campina Grande já entendeu: espetáculo cansa. Resultado convence.
Alexandre Kennedy – Pauta das 20

