Na política sapeense, um fato chama atenção e incomoda a população: o silêncio quase absoluto da Câmara de Vereadores diante das recorrentes denúncias, crises administrativas e questionamentos envolvendo a gestão municipal. Os representantes eleitos pelo voto popular, que deveriam atuar como fiscais do Executivo, parecem assistir de camarote aos problemas que afetam diretamente a vida do povo.A função constitucional do vereador é clara: legislar, fiscalizar e representar os interesses da população. No entanto, o que se vê em Sapé é uma Câmara que pouco reage, pouco questiona e raramente se posiciona diante de situações que exigiriam firmeza, independência e compromisso público.
Esse comportamento levanta uma pergunta inevitável: o que há por trás desse silêncio?
Nos bastidores da política, sabe-se que omissões raramente são gratuitas. A dependência política do Executivo, acordos não declarados, troca de favores, manutenção de cargos e indicações, além do medo de retaliações, são fatores que historicamente explicam por que muitos parlamentares preferem se calar a cumprir o papel para o qual foram eleitos.
Quando vereadores abdicam da fiscalização, a Câmara deixa de ser um poder independente e passa a funcionar como uma extensão do gabinete do prefeito. Quem paga essa conta é a população, que sofre com serviços públicos precários, falta de transparência e ausência de respostas.
O silêncio do Legislativo não é neutro — ele protege, legitima e fortalece possíveis irregularidades. E, ao mesmo tempo, enfraquece a democracia local, desestimula a participação popular e amplia a sensação de abandono político.
É preciso lembrar que mandato não é favor, é responsabilidade. Vereador não foi eleito para agradar gestor, mas para defender o povo. Quando a Câmara se cala, cresce a desconfiança e aumenta a cobrança da sociedade.
Em um cenário onde os representantes não falam, cabe ao povo questionar, cobrar e expor. A história mostra que nenhuma gestão resiste à pressão popular organizada e à luz da informação.
Porque, em política, o silêncio também é uma escolha — e quase sempre revela muito mais do que as palavras.
Fonte: Portal Sapé na Web/Jeferson Elias

