A NOITE DE NATAL, MAIS QUE UMA FESTA

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O Natal é, antes de tudo, um estado de espírito. Precisamos compreender bem o significado desta noite. Deve ser um momento de reflexão, acolhimento e renovação, no qual possamos compartilhar amor e solidariedade. Que não seja apenas uma festa de troca de presentes, mas que a alegria despertada em cada um de nós permaneça por todos os dias do ano.

A celebração do Natal nos induz a decorar e iluminar árvores, montar presépios, chamar o Papai Noel para presentear as crianças que ainda acreditam nele, enviar mensagens de boas festas a familiares e amigos e reunir-nos em torno de uma mesa com diversidade de pratos, sobremesas e bebidas tradicionais, quando isso é possível. Trata-se de uma festa de motivação religiosa que abr…
[13:18, 12/25/2025] +55 83 8787-3980: O Perigo das Verdades Convenientes

O julgamento das ações humanas deve ser baseado na verdade dos fatos. Mas o que é a verdade? Segundo Platão, “verdadeiro é o discurso que diz as coisas como são; falso, aquele que as diz como não são”. A partir dessa afirmação, chegamos a um entendimento perigoso: o de que estaríamos sempre intimados a acreditar no que divulga a mídia ou nos discursos de convencimento de certos políticos e daqueles que se julgam capazes de manipular consciências. Trata-se da verdade falseada por segundas intenções.

É no conjunto ético e moral de uma sociedade que encontramos parâmetros para a noção de “verdade”. Quando estamos inseridos em uma sociedade corrompida, essa verdade fica comprometida, e os julgamentos passam a ser arriscadamente contrários aos princípios da justiça.

Nossa experiência pessoal, construída no ambiente social em que vivemos, é o que nos induz a adotar pressupostos sobre pessoas, fatos e circunstâncias. Por isso, tais pressupostos são passíveis de equívocos e frequentemente distanciados da verdade. A ilusão da verdade domina nossa consciência crítica. Somos permanentemente bombardeados por informações falsas ou propositalmente incompletas e, com base nelas, formamos opiniões que passamos a considerar verdadeiras.

A História nos mostra que, muitas vezes, aquilo que entendíamos como verdade absoluta revelou-se falso. Incorremos reiteradamente em interpretações errôneas que nos conduzem a cometer injustiças. Daí o perigo do pré-julgamento. Quando nos antecipamos ao julgar pessoas e situações sem a devida preocupação em nos aproximarmos da verdade, somos guiados por emoções, paixões, interesses pessoais ou pela influência de terceiros.

Nós, simples mortais, jamais conheceremos a verdade absoluta. Ainda assim, podemos — e devemos — ser prudentes na aceitação daquilo que, num primeiro momento, nos parece verossímil. Se permitirmos que a emoção se sobreponha à razão, estaremos fadados a aceitar verdades convenientes, ainda que saibamos estarem contaminadas por falsidades.

O que pode parecer bom para nós individualmente pode ser prejudicial para outros ou para a coletividade.
Uma das regras básicas da propaganda enganosa é a máxima atribuída ao nazista Joseph Goebbels: “uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade”. São mentiras com aparência de verdade. Profissionais inescrupulosos do marketing se aproveitam dessa característica da psicologia humana — a tendência a acreditar no que é repetido — transformando-a em técnica de persuasão. A repetição mascara a verdade. Nossas mentes tornam-se presas fáceis da chamada ilusão da verdade, também conhecida como efeito de validação.

Vale refletir sobre tudo isso sempre que nos sentirmos tentados a apontar o dedo para acusar alguém, repetindo informações sem o cuidado de verificar sua veracidade. Quanto menor o esforço cognitivo exigido por uma informação, mais facilmente ela é absorvida. É assim que funciona a engrenagem das notícias falsas, as chamadas fake news. A ilusão da verdade é, muitas vezes, mãe da injustiça.

Rui Leitão

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