Hoje me permiti um exercício de filosofia íntima, guiado pela velha sentença atribuída a Sócrates — essa afirmação que atravessou séculos como uma manifestação de lucidez: “só sei que nada sei”. Talvez não tenha sido ele o autor, mas pouco importa. O que me move é o abismo de sentido que essa frase abre diante de nós. Sserá que, em algum momento da vida, podemos afirmar que alguém alcança conhecimento absoluto sobre qualquer tema?
Os que se consideram “donos da verdade”, que se veem como sábios ou eruditos, imaginando deter um saber privilegiado, esquecem que a sabedoria transcende nossos limites humanos. Somos, todos nós, eternos aprendizes. Por mais respostas que encontremos, surgirão sempre novas perguntas. A cada descoberta, nasce uma nova curiosidade. A cada aprendizado, desponta uma nova dúvida. Vivemos nessa busca incessante, porque sempre haverá algo ainda não suficientemente explicado.
Muitas vezes se confunde ignorância com burrice. Ignorância é apenas desconhecer; burrice é rejeitar o novo, é se fechar para qualquer possibilidade de aprender. Quem assim procede não evolui. Recusa enxergar a vida como processo contínuo de aprendizagem e se acredita sabedor de tudo. Mas o novo é inesgotável — e deveria alimentar em nós o entusiasmo de seguir aprendendo. O mundo se transforma com tamanha rapidez que precisamos ter a mesma urgência no aprendizado da vida.
Lembro então de Newton: “o que sabemos é uma gota; o que não sabemos é um oceano.” E talvez seja justamente nesse oceano que habita o nosso maior encanto.
Rui Leitão

