O CUSTO DA INÉRCIA DO PENSAR

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Rui Leitão

O comodismo nos induz à preguiça mental. O efeito disso é a procrastinação de atitudes que deveriam ser tomadas em benefício próprio. É quando se insiste em não encontrar respostas para os problemas dentro de si mesmo, permanecendo numa posição de passividade e deixando que outros encontrem as soluções para os seus dilemas. A inatividade do pensar permite que ideias alheias sejam aceitas sem que o indivíduo as discuta consigo mesmo.

Agindo assim, na inércia do pensar, potencializa-se a incapacidade de distinguir o certo do errado, permitindo que as ações individuais sejam determinadas por decisões alheias. Quem não tem opinião própria perde a individualidade, pois se deixa influenciar pelas mentiras primárias a que tem acesso. É assim que os tiranos conseguem formar um povo encabrestado. Uma sociedade que se nega a raciocinar, questionar, interpelar, criticar, torna-se escravizada, submetendo-se pacificamente aos discursos autoritários. Leva o oprimido à falsa sensação de proteção e segurança, mantendo-o amedrontado diante das alternativas de mudança que lhe são apresentadas.

A preguiça mental remete ao pecado contra a sabedoria, levando à perda da noção do que seja prudência e bom senso. Reside aí o perigo de ser arrastado pela irracionalidade que cega. O preguiçoso mental movimenta-se como uma folha seca carregada pelo vento. Faz sempre a opção que lhe exija menos esforço, que o isente de enfrentar o campo da batalha. É, portanto, um egoísta por excelência. O ócio é uma de suas fontes de prazer.

O pensar ativa a razão. O exercício do pensamento crítico desliga o viver no automático e energiza o sistema deliberativo sobre as escolhas que definem o caminho da própria vida, permitindo decisões inteligentes e autônomas. Vivemos um tempo em que as pessoas se entregam facilmente aos estímulos sociais e exteriores, sem refletir sobre suas conveniências e consequências, deixando-se conduzir pelas circunstâncias.

A preguiça mental é a melhor formadora de um espírito alienado, aparvalhado, afastado dos seus próprios interesses. Não há evolução em nada sem o esforço do pensamento. Que não percamos nunca a liberdade de pensar.

Rui Leitão

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