No cenário político brasileiro e mundial, um fenômeno tem se repetido com preocupante frequência: a estratégia do “quanto pior, melhor”. Trata-se de um jogo calculado, no qual determinados grupos políticos apostam no caos e na crise como ferramentas para enfraquecer adversários e angariar apoio popular. Esse tipo de conduta coloca em risco não apenas a governabilidade, mas também a estabilidade institucional e a qualidade de vida da população.
A lógica por trás dessa tática é simples: quanto mais problemas um governo enfrenta, mais fácil se torna deslegitimá-lo perante a opinião pública. Assim, grupos oposicionistas – sejam partidos, figuras públicas ou setores da mídia – podem explorar crises econômicas, sanitárias ou institucionais para enfraquecer quem está no poder e pavimentar seu próprio caminho rumo ao controle político.
Essa estratégia não é exclusiva da oposição. Muitas vezes, governos também recorrem a esse tipo de artimanha, criando cenários de instabilidade para justificar medidas impopulares, ampliar seus poderes ou manter a população refém do medo e da insegurança.
O grande problema da política do “quanto pior, melhor” é que ela transforma a vida do cidadão em uma moeda de troca. Enquanto os estrategistas políticos se beneficiam da instabilidade, a população sofre com desemprego, insegurança, crise nos serviços públicos e polarização extrema.
Outro efeito colateral é o descrédito generalizado na política. Quando a população percebe que seus representantes estão mais preocupados em sabotar adversários do que em buscar soluções reais, cresce o sentimento de desilusão e apatia. Isso abre espaço para a ascensão de figuras populistas e autoritárias, que se aproveitam do caos para prometer soluções fáceis e radicais.
A sociedade precisa estar atenta aos sinais da política do “quanto pior, melhor”. A educação política e o acesso a informações confiáveis são fundamentais para que o eleitor possa identificar discursos que exploram a crise de forma oportunista. Além disso, é essencial que os cidadãos cobrem transparência e responsabilidade dos seus representantes, exigindo que o debate político seja pautado por propostas concretas e não por estratégias de destruição mútua.
A democracia se fortalece com o debate saudável, a busca por consensos e a disposição para resolver problemas de forma coletiva. A política do “quanto pior, melhor” é um jogo perigoso que pode comprometer o futuro de um país. Cabe a cada cidadão, com um voto consciente e uma postura crítica, evitar que esse tipo de estratégia se torne a norma no cenário político.
Silvano Silva